6 fatos sobre Charles Dickens

Conheça mais sobre esse importante romancista

 

1 – Informações gerais

Nascido em 7 de fevereiro de 1812, Charles John Huffam Dickens, conhecido pelo seu apelido Boz, foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. A fama dos seus romances e contos, tanto durante a sua vida como depois, até aos dias de hoje, só aumentou. Apesar de os seus romances não serem considerados, pelos parâmetros atuais, muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.

 

 

Local de nascimento de Charles Dickens, 393 Commercial Road, Portsmouth

 

2 – Infância

Quando fez cinco anos, a família mudou-se para Chatham, no condado de Kent. Educado pela sua mãe, que lhe ensinava diariamente inglês e latim, passava muito do seu tempo a ler incansavelmente – e, com especial devoção as novelas picarescas de Tobias Smollett e Henry Fielding. A sua memória fotográfica serviria, mais tarde, para conceber as suas personagens e enredos ficcionais, baseando-se muito nas pessoas e acontecimentos que foram marcando a sua. Frequentou uma escola particular durante três anos. A situação piorou, contudo, quando o seu pai foi preso por dívidas. Com dez anos de idade, a família mudou-se para o bairro popular de Camden Town em Londres, onde ocupavam quartos baratos e, para fazer face aos gastos, empenharam os talheres de prata e venderam a biblioteca familiar que tinha feito as delícias do jovem rapaz.

 

Ilustração da primeira edição de “A Christmas Carol”.

 

3 – Juventude

Com doze anos, Dickens já tinha a idade considerada necessária para trabalhar na empresa Warren’s onde se produzia graxa para os sapatos com betume, junto à atual Estação ferroviária de Charing Cross. O seu trabalho consistia em colar rótulos nos frascos de graxa, ganhando, por isso, seis xelins por semana. Com o dinheiro, sustentava a família, encarcerada na prisão para devedores. Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou consideravelmente, graças a uma herança recebida pelo seu pai. A sua família deixou a prisão, mas a mãe não o retirou logo da fábrica, que pertencia a um amigo. Dickens jamais perdoaria à mãe por essa injustiça. O tema das más condições de trabalho da classe operária inglesa iria se tornar, mais tarde, um dos mais recorrentes da sua obra.

 

Os personagens de Dickens.

 

4 – Início de carreira

Com dezoito anos de idade, começou outro período de leituras intensas tendo-se inscrito na biblioteca do British Museum. Tornou-se, depois, jornalista, começando como cronista judicial e, depois, fazendo relatos dos debates parlamentares e cobrindo as campanhas eleitorais pela Grã-Bretanha. Com pouco mais de vinte anos, o seu The Pickwick Papers (Os Documentos Póstumos do Clube Pickwick) estabeleceu o seu nome como escritor. A ideia inicial desta obra era que Dickens escrevesse comentários a ilustrações desportivas.

 

Jovem Charles Dickens por Daniel Maclise, 1839

 

5 – Publicações

Em 1843, publicou o seu mais famoso livro de Natal, “A Christmas Carol” (“Canção de Natal”), ao qual se seguiram outros, com a mesma temática, como “The Chimes” (1844), que escreveu em Génova na sua primeira grande viagem ao estrangeiro (se descontarmos a breve incursão aos Estados Unidos). Em 1845, “The Cricket on the Hearth” (“O Grilo da lareira”) torna-se também um dos seus maiores sucessos natalícios. Já em 1848 publicava “Dombey and Son”, onde descreve o meio dos transportes ferroviários – outro tema estreitamente relacionado com a Revolução Industrial que conformava a sociedade vitoriana. Em 1849 publicou aquele que viria a ser o mais popular dos seus romances, David Copperfield, onde se inspirava, em grande parte, na sua própria vida. Os livros de Dickens tornaram-se extremamente populares na época e eram lidos com grande expectativa por um público muito fiel à sua escrita.

 

O sonho de Dickens por Robert William Buss , retratando Dickens em sua mesa em Gads Hill Place cercado por muitos de seus personagens.

 

6 – Fim de vida

Dickens separou-se da sua mulher em 1858. Adiante, passou muito tempo da sua vida com Ellen Ternan que foi, para todos os efeitos, a mulher que acompanhou Dickens até ao final dos seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente. A partir de 1858, os seus últimos anos de vida serão ocupados principalmente com leituras públicas. Esse gênero de espetáculos, que consistia apenas em ouvir Dickens a ler as suas obras mais conhecidas, tornaram-se incrivelmente populares. Note-se que na altura era comum ler em voz alta em família ou em grupos – a leitura expressiva era muito valorizada. E Dickens, com a sua interpretação apaixonada e a forma como se entregava à narração. O esforço despendido nestes espetáculos é, muitas vezes, apontado como uma das causas da sua morte. Em 1867 foi convidado a voltar aos Estados Unidos para uma digressão das suas leituras. Morreu de morte cerebral em junho de 1870. Foi sepultado no Poets’ Corner (“Esquina dos Poetas”), na Abadia de Westminster. Na sua sepultura está gravado: “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo.

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