7 fatos sobre a Semana de Arte Moderna

Conheça mais sobre esse importante evento

 

1 – A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal da cidade. O governador do estado de São Paulo da época, Washington Luís, apoiou o movimento. Cada dia da semana foi trabalhado um aspecto cultural: pintura, escultura, poesia, literatura e música. O evento marcou o início do modernismo no Brasil e tornou-se referência cultural do século XX.

 

Cartão postal do início do século XX, mostrando o Theatro Municipal de São Paulo.

 

2 – Essa semana representou uma verdadeira renovação de linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora da ruptura com o passado e até corporal, pois a arte passou então da vanguarda para o modernismo. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos, como a poesia através da declamação, que antes era só escrita; a música por meio de concertos, que antes só havia cantores sem acompanhamento de orquestras sinfônicas; e a arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura, com desenhos arrojados e modernos.

 

Cartaz anunciando o último dia da semana.

 

3 – Ela ocorreu no contexto da República Velha (1889-1930), controlada pelas oligarquias cafeeiras – as famílias quatrocentonas – (Muitos dos idealizadores do evento eram quatrocentões) e pela política do café com leite (1898-1930), uma época cheia de turbulências políticas, sociais, econômicas e culturais. De fato, as novas vanguardas estéticas surgiam e o mundo se espantava com as novas linguagens desprovidas de regras. Alvo de críticas e em parte ignorada, a Semana não foi bem entendida em sua época.

 

Cripta da Catedral da Sé de São Paulo, local onde se encontram os restos mortais do cacique Tibiriçá, antepassado de muitos quatrocentões. Esse é um termo cunhado em meados do século XX, em torno da celebração dos quatrocentos anos de fundação da cidade de São Paulo, Brasil, o Quarto Centenário. Designa a elite paulista tradicional, ou seja, a aristocracia e oligarquia paulista.

 

4 – Participaram da Semana nomes consagrados do modernismo brasileiro, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, entre outros, e como um dos organizadores o intelectual Rubens Borba de Moraes que, entretanto, por estar doente, dela não participou.

 

Mário de Andrade (primeiro à esquerda, no alto), Rubens Borba de Moraes (sentado, segundo da esquerda para a direita) e outros modernistas em 1922, dentre os quais (não identificados) Tácito, Baby, Mário de Almeida e Guilherme de Almeida e Yan de Almeida Prado.

 

5 – O capitalismo crescia no Brasil, consolidando a república e a elite paulista, esta totalmente influenciada pelos padrões estéticos europeus mais tradicionais. Aliás,  exemplares do futurismo italiano chegavam ao país e começavam a influenciar alguns escritores, como Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida.  

 

Importantes figuras do modernismo, em 1922. Mário de Andrade (sentado), Anita Malfatti (sentada, ao centro) e Zina Aita (à esquerda de Anita).

 

6 – A jovem pintora Anita Malfatti voltava da Europa trazendo a experiência das novas vanguardas, e em 1917 realiza a que foi chamada de primeira exposição modernista brasileira, com influências do cubismo, expressionismo e futurismo. A exposição causa escândalo e é alvo de duras críticas de Monteiro Lobato, o que foi o estopim para que a Semana de Arte Moderna tivesse o sucesso que, com o tempo, ganhou.

 

O Abaporu (Homen que come gente) , de Tarsila do Amaral foi um dos principais destaques da Semana e até hoje é uma das mais importantes do movimento modernista é também a mais cara já vendida no Brasil alcançando o valor de US$1.500.000. (Wikipedia)

 

7 – Essa ebulição de novas ideias totalmente libertadas, nacionalistas e em busca de uma identidade própria, não vinha, porém, com um programa definido: sentia-se muito mais um desejo de experimentar diferentes caminhos do que de definir um único ideal moderno. Na época, boa parte da mídia reagiu de forma conservadora ao Movimento, referindo-se aos vanguardistas como “subversores da arte”, “espíritos cretinos e débeis” ou “futuristas endiabrados”. Mas, foi com o tempo que ganhou valor histórico ao projetar-se ideologicamente ao longo do século.

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