Acidente radiológico de Goiânia

Conheça mais a tragédia que ocorreu na capital goiana nos anos 80

 

No dia 13 de setembro de 1987 se iniciava o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo fora das usinas nucleares. Catadores de lixo acharam em uma clínica abandonada uma cápsula contendo cloreto de césio, obtido do césio 137, um isótopo altamente radioativo. Protegendo o material havia uma caixa de aço e chumbo.

 

O Césio 137 ficava em uma cápsula parecida com esta

 

O material foi levado para um ferro velho, onde a caixa foi violada e o sal radioativo exposto. O dono do local ficou maravilhado com o pó, que emitia um brilho azulado no escuro. Ele distribuiu um pouco da substância entre amigos e familiares, inclusive sua mulher e irmãos. O cloreto de césio é extremamente aderente, podendo se infiltrar nas roupas, alimentos e pele facilmente. Algumas horas depois da exposição as pessoas já começavam a ter sintomas da contaminação: náuseas, vômito, diarreia e tonturas.

 

Os indivíduos afetados pelo pó radioativo começaram a ser tratados de forma errada, pois se pensava que eles tinham alguma doença contagiosa desconhecida. Somente alguns dias depois a esposa do dono do ferro velho levou a substância para a vigilância sanitária de ônibus, contaminando mais pessoas ainda. Apenas no dia 29 de setembro houve o alerta oficial do acidente radiológico.

 

As vítimas mais infectadas pela radiação tiveram que ser enterradas em caixões de chumbo

 

Das pessoas com maior contato, apenas duas sobreviveram, mas ambas foram acometidas de depressão e vício. Até hoje, cerca de 105 pessoas morreram em decorrência da contaminação e mais de 1500 foram afetadas diretamente pela radiação. A maioria das vítimas morreu de algum tipo de câncer. Os sobreviventes tiveram que suportar amputações, queimaduras e deformações, além de resistirem a tumores cancerígenos. O acidente de Goiânia repercute até os dias atuais, tanto na justiça, quanto na saúde pública.

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