Avanços Tecnológicos x Sociedade

Nós estamos prontos para acompanhar o ritmo dos avanços tecnológicos?

 

 

Por José Augusto Branco

 

 

Antes de tudo, não estou aqui para afirmar que a tecnologia e seu avanço desenfreado precisam acompanhar os ritmos da sociedade em que vivemos. Longe de mim.

A tecnologia tende a ser cada vez mais disruptiva e inovadora, quebrando paradigmas culturais por onde passa. Mas é fato que estamos em um mundo repleto de informações novas, onde nos encontramos em diversas situações em que não sabemos como agir. E muitas dessas situações se devem a esse avanço tecnológico. Talvez você –ainda– não sinta essa angústia tão forte em sua vida. Na verdade, acredito que você não perceba devido às constantes mudanças que se tornam rotineiras. Mas para prosseguir com esse assunto, preciso antes citar alguns exemplos de tecnologias disruptivas.

 

Exemplos de tecnologias disruptivas

 

Você sabia que na China uma fábrica está sendo construída para ser operada exclusivamente por robôs? Hoje em dia ela já funciona quase 100% automatizada, com apenas alguns funcionários humanos trabalhando. Não é diferente no Japão, onde já existe uma fazenda operada por robôs. Um ano atrás essa “Fábrica de Plantas” produzia 21 mil pés de alface por dia. Atualmente, com apenas o apertar de um botão, a nova fazenda robótica é capaz de produzir 30 mil pés de alface por dia. Estamos falando de atividades profissionais realizadas por robôs.

Além de robôs, a tecnologia tem avançado em diversas outras áreas, como por exemplo na implantação corporal de biochips. Estima-se que hoje em dia já existam mais de 700 mil pessoas no mundo utilizando esse recurso. Existe uma empresa nos EUA que implantou essa tecnologia em 50 funcionários para otimizar tarefas, como: abrir portas, acessar computadores, fazer cópia de documentos e compartilhar informações.

Podemos também citar os carros autônomos que já são realidade. A Ford e a Domino’s fizeram uma parceria para avaliar a viabilidade de entregas com carros que dirigem sozinhos. Por enquanto ainda há motorista, mas já foram feitos testes sem esses profissionais.

 

Como as pessoas irão se adaptar aos avanços tecnológicos?

 

Isso tudo é muito massa! Mas, ao mesmo tempo, é muito preocupante. As tecnologias são criadas para as pessoas! E aí levanto o seguinte questionamento: em que momento estão pensando nas pessoas? É a partir dessa provocação que eu te convido a pensar através de outra perspectiva os avanços tecnológicos. Podemos, inclusive, pegar como exemplos as tecnologias citadas acima.

Uma fábrica chinesa que trocou funcionários por robôs cresceu em 250% sua produtividade. Mas, para isso, foram demitidas 590 pessoas das 650 que trabalhavam na mesma, restando apenas 60! Outro dado preocupante é a estimativa de que os profissionais de limpeza têm 57% de chances de serem substituídos por robôs. Existem diversas outras profissões correndo sérios riscos de extinção. Em relação aos implantes corporais de biochips, existe uma séria preocupação com a privacidade e segurança das informações. Outra informação preocupante é que nos EUA aconteceu o primeiro acidente fatal em um carro da empresa Tesla, que é referência em carros autônomos.

 

Percebam que agora estamos falando de robôs substituindo pessoas nas atividades profissionais, tecnologias invasivas em seres humanos, ameaça a privacidade e a segurança das pessoas.

 

Não sou inocente ao ponto de achar que essas e outras tecnologias disruptivas não irão fazer parte do nosso meio, e sim o oposto: Elas já são realidade em vários locais do mundo e em breve iremos conviver com essas e outras novas situações causadas pela tecnologia. Porém, precisamos enfrentar esses desafios e buscar oportunidades para tornamos as cidades mais inteligentes e, principalmente, mais humanas.

Eu acredito que a solução para uma melhor adaptação da sociedade a essas modificações e incertezas causadas pelo avanço da tecnologia passa pela criação e implementação de políticas públicas na área de tecnologia. Para isso, é necessário oferecer oportunidades para que a população se envolva mais na política, permitindo que o povo se sinta parte da gestão e das transformações nas cidades. Também é de extrema importância o maior interesse e envolvimento da sociedade, colaborando na construção de uma cidade e uma sociedade melhores.

 

 

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  • Gabriel Gomes

    Muito interessante o artigo José, nem sabia que a automação das fábricas, e de uma fazenda já havia alcançado tamanha proporção! Assustador em relação aos empregos das pessoas, mas por outro lado, pensemos que estão livrando pessoas de trabalhos repetitivos, e por isso mesmo entediantes, permitindo que elas sejam direcionadas para atividades mais produtivas em termos de criatividade.
    Contudo, será que estas pessoas demitidas terão a capacidade (pensando nas mais velhas) de se adaptarem a novos trabalhos, podendo assim continuar a ter seu ganho diário garantido?

    • José Augusto Branco

      Muito obrigado pela leitura e participar aqui com seu feedback. Massa demais teu comentário, concordo com tudo que você falou. O lado positivo é que as pessoas passarão a exercer atividades menos repetitivas e mais criativas. Você pegou bem a provocação, que é se nossa sociedade está preparada para isso!

  • Emidia Felipe

    É realmente muito triste o descompasso entre o avanço tecnológico e a criação de alternativas para que as pessoas “substituídas” assumam novas funções, que, preferencialmente, deveriam ser de protagonistas. Imagina aqui no Brasil! Mas, infelizmente, acho que esse abismo entre o avanço das soluções tecnológicas e a situação de miséria e escassez na outra ponta só vai aumentar se não nos esforçamos mais nesse caminho que você propõe. Muito bons o texto e a reflexão.

    • José Augusto Branco

      Muito obrigado, Emidia! E concordo com você, a tendência é piorar essa relação se não houver um esforço maior e coletivo nesse caminho proposto no texto. Fico feliz por seu feedback.