Calçadas e o ato de caminhar

Entenda como as calçadas são importantes não só para os pedestres, mas para as cidades também

 

Por Bruna Matos

 

O modelo contemporâneo de fazer cidade, além de estimular o uso do transporte motorizado, tem desestimulado a forma mais democrática de locomoção: andar a pé. Essa falta de estímulo está relacionado à problemas corriqueiros e que podem ser facilmente identificados nos percursos por onde as pessoas caminham. Dimensão incorreta de calçadas, existência inadequada de rampas e escadas, falta de pavimentação e veículos estacionados irregularmente sobre as calçadas são alguns dos problemas que tornam a simples ação de caminhar na cidade em um verdadeiro desafio.

Além de possibilitar o deslocamento feito a pé, as calçadas exercem papel fundamental na segurança urbana. Para Jacobs o principal atributo de um distrito urbano próspero é que as pessoas se sintam seguras e protegidas na rua em meio a tantos desconhecidos. Portanto, é necessário estimular o pedestre a utilizar as ruas. A qualidade da calçada pode influenciar diretamente essa condição e que além de atrair os pedestres, torna-se também um espaço agradável e de convivência entre as pessoas.

Há alguns “manuais”, disponíveis na internet, de como fazer a calçada ideal. No entanto, a cidade é dinâmica e é grande o contexto onde as calçadas podem estar inseridas. Há variedade no modo como as pessoas utilizam as vias, há variação dos entornos (tipologia) das calçadas, há diferenças culturais (numa mesma cidade), entre outras tantas variações que influenciam no comportamento das pessoas, ao utilizarem essas vias de pedestres.

O Cidade Ativa fez um estudo que propõe a seguinte equação:  a experiência do pedestre ao caminhar por uma calçada é modelada por um espaço físico, composto de diversos elementos, que, por sua vez, são regulamentados por políticas.

 

 

Essas experiências são diversas, quando analisados os diferentes contextos existentes nas cidades. Portanto, fazer calçada não é uma ciência exata. Mas é importante levar em consideração algumas orientações gerais que visam a melhoria do espaço público.

O WRI Brasil – organização sem fins lucrativos, focada em pesquisa e aplicação de metodologias, estratégias e ferramentas voltadas às áreas de clima, florestas e cidades – desenvolveu alguns princípios que podem (e devem) ser utilizados. Trata-se de princípios para melhorar não só as calçadas, mas também a cidade. São eles:

 

1 – Dimensões Adequadas

 

 

Na calçada existem três zonas. A central, que é considerada livre e própria para circulação; a lateral mais próxima da rua, considerada como faixa de serviço; e a lateral localizada mais perto das edificações, onde ocorrem as transições.

 

2 – Superfície Qualificada

 

Um piso regular, firme e antiderrapante é fundamental para garantir a segurança e qualidade do passeio.

 

3 – Acessibilidade Universal

 

As calçadas devem atender as necessidades de todos os pedestres.

 

4 – Segurança Permanente

 

É importante adotar estratégias que atraiam as pessoas para as ruas em diferentes horários, todos os dias: úteis ou finais de semana.

 

5 – Sinalização

 

Pedestres também precisam de orientações. É importante localizá-los em relação à pontos importantes e conhecidos da cidade.

 

6 – Conexões Seguras

 

 

O deslocamento dos pedestres tem que acontecer de forma segura. O WRI sugere tornar os pontos de contato das calçadas com outras áreas – como os cruzamentos – mais seguros, propõe-se que as calçadas estejam conectadas e integradas às redes de transporte da cidade.

 

7 – Espaços Atraentes

 

Despertar o interesse das pessoas em andar a pé = fundamental.

 

8 – Drenagem Eficiente

 

Caminhar em superfícies empoçadas não é nada agradável. Concordamos?

 

REFERÊNCIAS

 

JACOBS, Jane. Morte e Vida de Grande Cidades. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011 [1961].

https://www.cidadeativa.org.br/single-post/2016/03/01/Como-fazer-cal%C3%A7adas-ativas

 
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •