Depressão: o mal do século

Entenda mais sobre dois grandes problemas de saúde pública e mental no século 21

 

 

Gabriel Barreto

 

 

Depressão é o principal problema de saúde pública que não recebe a devida atenção. De acordo com a ONU, é a maior causa de incapacitação no mundo. São mais de 300 milhões de pacientes diagnosticados e que convivem com a doença. Além desses, uma estimativa de 1,1 bilhão vai sofrer com a condição em algum momento da vida. Infelizmente, a grande probabilidade é que os afetados sofram sem o auxílio apropriado. Aqui trataremos sobre a depressão, o estigma que a cerca e um de seus possíveis desdobramentos: o suicídio.

A depressão é um distúrbio tanto sério quanto comum, cujo efeito se estende a como o paciente se sente e se comporta. A doença está associada a sentimentos de tristeza, incapacidade e perda de interesse em atividades cotidianas. Todavia, não deve ser confundida com tristeza ou luto, naturais em certos momentos da vida. Nem toda tristeza intensa implica em doença. Talvez a antítese mais adequada para depressão não seja felicidade, mas vitalidade.

 

A depressão é um dos principais problemas de saúde pública no mundo neste século

 

A depressão pode afetar qualquer um, inclusive pessoas que aparentam ter uma vida “ideal”. Embora não se tenha definido um fator ambiental ou genético isolado que seja responsável único pela doença, algumas variáveis parecem estar associadas com sua ocorrência. A constituição bioquímica do cérebro pode alterar a chance que uma pessoa tem de sofrer com depressão. Fatores genéticos também têm alta relevância. Além disso, de fundamental importância é a conjuntura ambiental, que pode contar com exposição prolongada a situações de sofrimento ou estresse. O que a literatura na área ressalta é que o fenômeno geralmente é causado quando os fatores citados acontecem em conjunto.

Embora seja amplamente difundida, a depressão ainda é cercada por estigma, que é comum a pessoas que sofrem com distúrbios no plano psicológico e mental. Esse estigma potencializa as consequências graves associadas a ela. Um desses desdobramentos é muito polêmico, mas não deve ser tabu: o suicídio. Embora a doença não seja condição necessária para o suicídio, há uma relação íntima entre ambos. Talvez contra intuitivamente, o suicídio ocorre de maneira muito frequente no mundo inteiro.

 

Principais sintomas da depressão. Fonte: Hipnose Institute

 

Para se ter ideia da dimensão do problema, em 2015 a estimativa da Organização Mundial da Saúde é de que 788 mil pessoas se suicidaram no mundo. Para efeitos de comparação, em 2012 aconteceram 437 mil homicídios. O número de pessoas que tiraram a própria vida foi 80% maior do que o número de casos onde alguém atentou contra a vida de outrem. Embora homicídio seja um tema central na agenda pública de países violentos como o Brasil, o suicídio e a depressão permanecem como tabu, longe de serem objeto de políticas públicas. Enquanto isso, tirar a própria vida constitui a segunda maior causa de morte no grupo de pessoas entre 15 e 29 anos.

Embora depressão e suicídio sejam problemas de saúde pública de dimensão global e com impacto social e econômico imensos, o transtorno tem tratamento. A medicina e a psicologia, juntas, são capazes de oferecer saída para quem, no momento de desespero, parece acreditar que não há nenhuma. A psiquiatria trata com medicação que recupera o balanço químico do cérebro, enquanto a psicoterapia que aparenta ser mais efetiva se foca em métodos de lidar com a realidade e racionalizá-la (terapia cognitiva comportamental). Isso não quer dizer, porém, que apenas esses dois elementos são os únicos com efeitos positivos, mas a discussão sobre isso está além do escopo deste texto.

 

Depressão tem tratamento e pode ser controlada 

 

Quem não sofre com depressão pode contribuir também. É importante não desconsiderar as queixas de pessoas próximas em relação a angústias e problemas. É fundamental estar atento aos sinais de que alguém planeja tirar a própria vida, como falar em excesso sobre a questão, tristeza excessiva e prolongada e mudanças na personalidade. Numa perspectiva mais ampla, também é necessário dissolver o estigma que cerca distúrbios mentais e a ajuda a esses problemas. Aflições psicológicas são normais e devem ser tratadas como tal.

Se você chegou até aqui, refletiu e chegou a conclusão de que pode ter depressão, procure um médico, se abra com pessoas queridas. Se você já pensou em suicídio ou planejou o ato, divida suas angústias com alguém próximo, procure tratamento. Muitas vezes verbalizar o que atormenta é um caminho para o alívio. Há maneiras comprovadamente efetivas de lidar com esse problema e voltar a ter uma vida saudável. Por favor, não desista.

 

O Centro de Valorização à Vida (CVV) pode ajudar quem está pensando em tirar a própria vida

 

O Centro de Valorização à Vida atende pessoas que precisam de apoio emocional e trabalha com prevenção ao suicídio. Em Recife, você pode ligar para o número 141 ou (81) 3421-7311.

O site da organização é https://www.cvv.org.br/

 

Referências

 

http://www.who.int/mental_health/management/depression/en/

https://www.psychiatry.org/patients-families/depression/what-is-depression

http://www.who.int/gho/mental_health/suicide_rates/en/

https://www.unodc.org/gsh/en/big-picture.html

http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/suicide-prevention-report/en/

 

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