Fim da Guerra de Canudos

Entenda mais sobre um dos conflitos mais marcantes da história brasileira

 

A Guerra dos Canudos foi um conflito que ocorreu na Bahia no final do século 19.  O confronto entre o Exército Brasileiro e os sertanejos liderados por Antônio Conselheiro terminou oficialmente em 5 de outubro de 1897. O movimento social que vinha de Canudos tinha um cunho anti-republicano e messiânico (saiba mais aqui). A população seduzida por Antônio Conselheiro sobrevivia em condições extremas de fome, seca e desemprego.

 

Nascido no Ceará, Conselheiro vivia uma vida normal até ser abandonado pela mulher. Desde a década de 1860 começa suas peregrinações pelo sertão, sendo pela primeira vez noticiado em 1874. Continua sua andanças até chegar em 1893 no Arraial de Canudos, onde se assenta e reúne milhares de seguidores. Seu discurso pregava que a República era o início da vinda do anticristo. Mudou o nome da localidade para Belo Monte, (mas a maioria das fontes históricas continuou usando Canudos) que chegou a ter 25 mil moradores em seu auge.

 

Localização do Arraial de Canudos em destaque

 

O grande crescimento de Canudos causou tensão entre os latifundiários, o clero e os governos da região. O fanatismo religioso, o não pagamento de impostos e a perda de poder dos coronéis acendeu um sinal de alerta entre as elites locais. O estopim da guerra foi um boato: os seguidores de Antônio Conselheiro compraram madeira em Juazeiro e não receberam a remessa, o que fez com que a população de Juazeiro achasse que os habitantes de Canudos fossem atacar a cidade. Em novembro de 1896, um destacamento de polícia foi mandado para enfrentar os sertanejos, que não apareceram. O comandante das tropas baianas decidiu averiguar a situação em Belo Monte, mas foi surpreendido pelos conselheiristas em Uauá, uma localidade próxima. Após um grande confronto, com mais de 100 mortes, a companhia da polícia baiana se retirou.

 

Alguns prisioneiros feitos pelo Exército. Mais de 20 mil sertanejos foram mortos na guerra

 

Após esse episódio a situação só piorou: em janeiro de 1897 mais um destacamento da polícia da Bahia foi enviado para derrotar Canudos. A expedição não foi bem-sucedida, com mais de 100 baixas para os militares e a tomada de várias armas, munições e equipamentos pelos sertanejos. No terceiro ataque a Canudos entraram em ação o Governo Federal e o Exército. O presidente Prudente de Morais (saiba mais aqui) enviou um batalhão sob o comando do coronel Antônio Moreira César, que havia se destacado na repressão à Revolução Federalista. A travessia até Canudos não foi fácil para os militares: as táticas de guerrilha dos conselheiristas minaram vidas e recursos do destacamento militar. Chegando em Belo Monte no começo de março de 1897 as tropas foram massacradas e perderam a moral, com a morte do coronel e do seu subcomandante. Mais uma vez a expedição foi obrigada a recuar

 

Única foto conhecida de Antônio Conselheiro, tirada duas semanas após sua morte

 

O último ataque contou com o envio de 8 mil homens com o objetivo de destruir Canudos. O primeiro combate ocorreu em 25 de junho em uma localidade próxima à cidade. Durante quase 2 meses o Exército esteve em grandes dificuldades, pela bravura dos sertanejos e pelo péssimo abastecimento das tropas, que passavam fome com frequência. O próprio Ministro da Guerra, marechal Carlos Machado de Bittencourt foi para o sertão baiano para organizar seus contingentes. Em 22 de setembro, Antônio Conselheiro morreu (provavelmente) em decorrência de uma disenteria e a moral dos sertanejos cai vertiginosamente. Apesar da resistência bravia, em 5 de outubro os últimos combatentes são mortos e Canudos é completamente destruída. Todos os homens capturados e muitas mulheres e crianças foram degolados, o que implica em um dos maiores massacres já registrados em território brasileiro. O corpo de Conselheiro foi exumado, decapitado e queimado.

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