Isabel Albuquerque – Descobrindo

Conheça mais sobre a co-Fundadora do Meu Recife

 

Nome: Isabel Albuquerque

Idade: 26 anos

Profissão: Trabalha na área de comunicação e marketing digital de startups

 

CONTE-NOS UMA BREVE BIOGRAFIA SUA.

Sou formada em Publicidade e Propaganda pela UFPE e desde a faculdade vinha trabalhando na área de comunicação e marketing digital de startups. Em 2015, após passar por um processo seletivo, fundei o Meu Recife, uma rede de mobilização que quer aproximar o cidadão da vida política da cidade. Hoje, a ONG conta com mais de 15 mil membros e uma equipe que se dedica em tempo integral.

 

 

COMO VOCÊ INICIOU O SEU TRABALHO NO “MEU RECIFE”?

No final de 2014 a Rede Nossas Cidades havia acabado de ganhar o prêmio impacto social do Google e daí foi criado por eles um processo seletivo para selecionar fundadores de redes de cidades em vários lugares do Brasil. Em Recife, eu fui selecionada junto com outra pessoa que me ajudou no primeiro ano, mas saiu no começo de 2016.

Nós realizamos uma campanha de Crowdfunding no período de janeiro a fevereiro de 2015. Nessa campanha a gente precisava de 13 mil reais para viajar para o Rio de Janeiro e fazer um treinamento de seis semanas no escritório do Nossas. Acabou que a gente passou do valor que precisávamos atingir e conseguimos 16 mil reais. Desse dinheiro a mais que sobrou, decidimos usá-lo,  quando voltamos no começo de maio de 2015, no nosso processo de formalização em Recife. Finalmente, em agosto do mesmo ano, tivemos o nosso lançamento oficial da campanha “Meu Recife”.

 

 

COMO É TRABALHAR NO “MEU RECIFE”?

Certamente é algo desafiador, pois, apesar do nosso trabalho ser remunerado por um financiamento de uma fundação internacional chamada Oak Foundation, tentamos fazer muita coisa com os poucos recursos que temos, sempre tentando os aproveitar da melhor forma possível. Na verdade, os nossos desafios não são muito internos, pois a equipe gira de um jeito muito tranquilo, em uma forma de trabalhar muito positiva.

Já sobre os desafios externos, têm-se a dificuldade de lidar com o poder público, de passar qual é o nosso papel enquanto controle social, fiscalizador do poder público e mobilizador de pessoas. Também há a dificuldade relacionada a como as pessoas nos vêem, por sermos uma equipe jovem que diferente de alguns movimento sociais, se propõe ao diálogo. Na grande maioria das vezes somos recebidos de uma forma muito aberta, justamente porque queremos dialogar, entretanto, demora até que as pessoas nos deem o devido crédito pelo nosso trabalho, por termos pouca idade.

 

 

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DIFICULDADES QUE VOCÊ PASSA NO SEU TRABALHO?

A principal dificuldade se refere a mobilizar as pessoas. Na verdade, esse não é um desafio só nosso: todo mundo, seja qual movimento organizado da sociedade civil for, vêm encontrando essa dificuldade de mobilizar e engajar as pessoas. Principalmente agora, na era das redes sociais, em que a interação nesse espaço virtual dá uma impressão que você mobilizou muitas pessoas, mas no final das contas não foi bem assim. Geralmente é uma coisa mais superficial do que se parece.

Então como a gente soluciona esse desafio? Primeiramente, nós tentamos ter uma equipe bastante diversa, pois precisamos refletir quais são os desejos e anseios da sociedade. De fato, no momento em que a equipe da gente só enxerga um lado da sociedade, só tem uma visão de mundo, ela tem uma dificuldade de entender a sociedade, que é diversa e heterogênea.

A segunda coisa se refere na forma da gente conversar, tentamos nos utilizar da linguagem mais simples possível. Não gostamos de utilizar nem chavões e nem palavras difíceis, justamente porque sabemos que as pessoas entendem melhor a linguagem acessível.

 

 

COMO VOCÊ SE PORTA EM RELAÇÃO AO EMPREENDEDORISMO SOCIAL E SEUS DESDOBRAMENTOS?

Eu tenho uma formação bastante empreendedora, pois, além de ter estudado isso fora do Brasil, também fiz a escolha de trabalhar e estagiar desde da época da faculdade em startups e empresas que estavam começando a empreender. Então, posso dizer que consegui desenvolver esse espírito do empreendedorismo, de analisar as dificuldade de quem está começando e de poder ser capaz de driblar esses problemas de uma forma muito criativa e inovadora.

Porém, apesar do processo de fazer o Meu Recife existir ser um empreendedorismo também, enxergamos ele muito mais como uma ONG que fomenta a participação política, já que não visamos lucrar, não temos um produto para vender, nem um modelo de negócio fechado, além de que vivemos de doações. Todavia, nós não eliminamos o fato de que é preciso haver empreendedorismo dentro do Meu Recife. Na verdade, isso é só uma questão de formação jurídica.

Ou seja, precisamos parar de ter a visão de que um negócio social ou um empreendedorismo social só acontece quando se tem um produto ou um serviço rentável. Ademais, precisamos enxergar também as organizações não governamentais e movimentos sociais com o olhar empreendedor, seja um empreendedorismo político ou o que for, porque é muito necessário ter o mindset empreendedor para realizar algumas coisas dentro do terceiro setor.

 

 

QUAIS OS CAMINHOS PARA AS MULHERES TEREM MAIS ESPAÇO NO ATIVISMO POLÍTICO E NA POLÍTICA EM SI?

A primeira coisa que é muito importante não tem nada haver com as mulheres, mas com os homens que ocupam esses espaços. É necessário dar visibilidade e protagonismo para elas além das pautas do gênero e do feminismo, visto que as mulheres já tem visibilidade nesse âmbito. Na verdade, nós queremos ver candidaturas femininas que apresentem questões sobre mobilidade urbana, meio ambiente, qualquer coisa que não seja só sobre a mulher, pois se vermos as últimas campanhas tanto para vereador, quanto para deputado estadual, sempre que é uma mulher se candidatando, ela tem que carregar por trás a bandeira do feminismo e a do gênero. Não que isso seja extremamente necessário, mas a gente tem que começar a diversificar o espaço da mulher na sociedade e na política para além da causa de gênero.

Acredito que de fato nós precisamos mudar o nosso olhar do papel da mulher na política. Hoje, ela parece estar lá só para tratar desse tipo de pauta ou para cumprir o espaço da mulher. Enquanto que ela deveria estar lá para representar as diversas causas e os diversos espaços, já que o público feminino compõe 51% da sociedade brasileira.

Quando isso acontecer nós não iremos mais precisar ter uma secretária da mulher ou nada do gênero, porque vai ser um momento em que as mulheres vão ser realmente enxergadas com igualdade perante os homens. Entretanto, até que isso exista, precisamos de políticas públicas de distribuição desses espaços, não só disso, mas também de políticas de enfrentamento e de todas as políticas que possam existir em uma pasta que venham a tratar das questões de gênero.

 

“É necessário dar visibilidade e protagonismo para elas (as mulheres) além das pautas do gênero e do feminismo”.

 

Além disso, é preciso que as pessoas entendam que diversidade e representatividade tem outro sentido. Quando comentam que: “essa pessoa está mal representada, tem pouca mulher aí, tem pouco espaço para o índio e para o negro, somos minorias, etc”, isso é totalmente verdade, no entanto precisamos entender que de uma perspectiva de inovação, só conseguiremos mudar de verdade quando a gente diversificar as pessoas que ocupam os espaços de decisão.

E claro, isso vale também para as mulheres, visto que não são minoria, na verdade elas são maioria. Portanto, só iremos conseguir resolver os nossos problemas quando a gente diversificar as pessoas que estão pensando por trás, e especialmente, as pessoas que têm vivências sobre isso. Não vamos conseguir resolver os problemas que ainda não foram solucionados colocando as mesmas pessoas, as mesmas cabeças, com a mesma bagagem e com a mesma visão de mundo para ocupar esses espaços. De fato, se tem essa importância pragmática também, que vai além da representatividade por si só.

 

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