Itália: eleições não definidas

Saiba quais os desdobramentos da votação ocorrida neste fim de semana no país europeu

 

 

Por Victor Ávila

 

 

No último domingo, os italianos foram às urnas para escolher o próximo governo. Contudo, pelos resultados não foi possível formar o gabinete. Nestas eleições 4 partidos/coalizões tiveram destaque: Centrodestra (Centro-direita), com Lega Nord, Forza Italia (Partido de Silvio Berlusconi), Fratelli d’Italia e Noi com l’Italia; Movimento 5 Stelle (Movimento político sem posição); Centrosinistra (Centro-esquerda), com Partito Democratico, + Europa, Italia Europa Insieme, Civica Popolare, SVP-PATT; e Liberi e Uguali.

 

Distribuição dos vencedores das eleições em cada distrito eleitoral da Itália (mapa). Na outra imagem, foi possível observar a vitória parcial da centro-direita, com 37%, número não suficiente para formar um governo.

 

Durante a campanha eleitoral já se dizia que esse pleito seria um dos mais difíceis da história italiana e assim o foi. A disputa foi acirrada e a direita conseguiu mais votos. A grande preocupação é que um dos partidos desta coalizão que levou mais votos – Lega Nord – é um partido conhecido pelo seu discurso racista, ultranacionalista, anti-europeísta e, sobretudo, populista.

 

Matteo Salvini (Lega Nord) – extrema-direita – e Silvio Berlusconi (Forza Italia) da coalizão de centro-direita

 

Por outro lado, um movimento apartidário, chamado Movimento 5 Stelle, conseguiu sozinho 32,67% e já celebram o novo governo, contando com a colaboração de outros partidos ou coalizão. Contudo, deveriam correr atrás de um outro partido para chegar aos 40% de votos, número suficiente para formar o governo. O partido é caracterizado pelo discurso anticorrupção e apartidário, o que fez com que conquistasse um eleitorado cansado da política italiana tradicional. O que não se sabe é se o movimento terá experiência necessária para governar a Itália e coragem para cumprir aquilo que disse. É difícil acreditar plenamente em uma agremiação que se diz apartidária, mas que concorreu a uma eleição e conseguiu tantos votos.

 

Jovem Luigi Di Maio, possível primeiro-ministro Italiano.

 

Com uma democracia em crise, a esquerda vem sofrendo uma grande desaprovação, e isso foi comprovado nesta eleição. A coalizão de centro-esquerda, que está no governo atualmente, saiu derrotada com apenas 22,86%. O ex-primeiro-ministro, Matteo Renzi, poderá renunciar a liderança do partido Democrático, que por sua vez poderá se salvar ao formar uma coalizão com o Movimento 5 Stelle.

 

Matteo Renzi, ex-primeiro-ministro, e líder do Partido Democrático Italiano.

 

Agora os partidos deverão se unir para conseguir a maioria das cadeiras do Parlamento, somente assim será possível formar um governo e consequentemente haver um primeiro-ministro. Segundo cientistas políticos italianos, uma possibilidade seria uma união entre o Partido Democrático e o Movimento 5 Stelle, que seria a coalizão mais fácil de se formar. Já o acordo entre a Lega Nord e o Movimento, seria um pouco improvável porque a Lega já está em uma coalizão e seu líder, Matteo Salvini, já declarou que não desfaria esta aliança. Agora é a hora de esperar e ver os desdobramentos nos próximos dias. Para o Movimento 5 Stelle é hora de decidir qual caminho seguir, ou à esquerda ou à direita. Só com o tempo poderemos observar qual os reais objetivos da agremiação que se diz uma nova alternativa para a Itália.

 

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