Ivo Amaral

Ex-Prefeito comenta como realizou o primeiro Festival de Inverno de Garanhuns.

 

Nome completo: Ivo Tinô do Amaral

Idade: 83 anos

Profissão: Empresário e Político

Biografia: Nascido em Lajedo. Foi vereador, vice-prefeito e duas vezes prefeito de Garanhuns. Deputado estadual em dois mandatos. Proprietário da Rádio FM Sete Colinas.

 

Muitos administradores não se preparam para governar um município seja ele grande, pequeno ou médio, mas eu confesso que me preparei para chegar a ser prefeito. Eu gostava de ouvir muitos meus amigos que trabalhavam, a prova é que o meus auxiliares (secretários e diretores) da primeira administração, que foi de 1977 a 1982, foram repetidos quase dez anos depois, quando eu voltei em 1989 a 1992. Isso é muito importante, porque o administrador que entra e coloca um, tira um e coloca outro dificulta a administração, porque a pessoa que entra, já não é do mesmo jeito do outro, ele modifica as coisas e perturba mais ainda a administração.  

 

“PASSEI A DIZER QUE ESSE FESTIVAL NÃO É MAIS DO MUNICÍPIO,  

NEM DO ESTADO. ELE É DO POVO, DO POVO DE PERNAMBUCO.”

 

Por conta disso, eu ouvia muito os meus secretários, diretores e até amigos que participavam na administração, entre eles, o cidadão Marcílio Lins Reinaux. No meu primeiro mandato, ele chegou com uma ideia dizendo que, representando a Universidade de Garanhuns, ele foi a três lugares que faziam o Festival de Inverno (São Cristóvão, em Sergipe; Ouro Preto, em Minas Gerais; Campos do Jordão, São Paulo) e me informou que cidades como essas que chovem muito, estão implantando um tipo de Festival que certamente pode caber aqui na cidade Garanhuns.  Em seguida, ele me pediu para falar com o Governador para implantar o Festival na cidade. Naquele momento eu pedi para ele esperar um pouco, porque talvez não fosse o momento certo. Então, terminou meu mandato e fui Deputado Estadual e passei oito anos fora.  

Comecei o segundo mandato com Marcílio na minha porta querendo conversar sobre a implantação do Festival de Inverno, eu disse a ele que “o que havia para ser feito na cidade de Garanhuns, já havia feito no primeiro mandato, agora eu tenho que fazer coisas novas”. Isso deu brechas então, para conversarmos mais sobre esse projeto. Após isso, conversamos com os Vereadores, empresários, CDL, Rotary, Lions, Maçonaria, e ele explicou como funcionaria o Festival e todos concordaram que cabia esse Festival na idade. Entretanto, o município não tinha condições financeiras de bancar toda a festa. Então, preparamos um projeto para levar para o Governador, Joaquim Francisco. Explicamos tudo para ele e em seguida ele disse: “Prefeito, eu vou comprar essa ideia, ela não só é boa para Garanhuns, é boa para Pernambuco”.  

 

“ELES DEVEM LEMBRAR QUE O FESTIVAL NÃO É SÓ A PRAÇA.  

ELE É UM FESTIVAL CULTURAL DE CENTENAS DE COISAS PARA SEREM FEITAS…”

 

Expliquei ao Governador que quando se fizer o projeto, Garanhuns só poderia bancar 20% do orçamento, por que, na verdade, o Município só teria o nome a oferecer, o resto ficaria por conta do Governo do Estado. O Governador em seguida ligou para o Presidente da FUNDARPE (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco), para o secretário da educação e cultura, e para o secretário de Finanças da fazenda. Então, mostramos o projeto a esses três e explicamos a eles e o projeto foi para frente. Nós, na verdade, somos muito gratos a dois cidadãos: Marcílio Reinaux, que trouxe a ideia e ficava “cutucando” e Rubens Valença Filho, Presidente da FUNDARPE, que com ajuda do Governador, com o apoio do Secretário da educação e cultura, e da Secretaria da Fazenda, viabilizaram o projeto.  

Eu posso me lembrar de que foram muitas noites de sono, porque fui na conversa de Marcílio e tive de parar não sei quantas obras para fazer o Festival, porque o primeiro foi de 15 dias. Mesmo com toda a dificuldade, ele foi um sucesso, todos aprovaram. Acredito que, o primeiro foi mais regional, muito “nosso”. Já no segundo, mesmo tendo só 10 dias, o crescimento da economia nesses tempos se tornava evidente, ainda mais porque começou a vir pessoas de fora. Passei a dizer que esse festival não é mais do município, nem do Estado. Ele é do povo, do povo de Pernambuco.  

Hoje, temos o maior Festival multicultural do Brasil, vai fazer 27 anos, tem tudo de graça, e alguns vieram reclamar da programação da Praça Mestre Dominguinhos. Eles devem lembrar que o Festival não é só a praça. Ele é um Festival cultural de centenas de coisas para serem feitas, temos desde teatro, dança e circo, até oficinas das mais diversas. Não só isso, ele é um Patrimônio Imaterial. Grande parte do comércio vivem do que apurou um mês antes e dois meses depois de começar e, principalmente, nos oitos dias do festival. É a escapatória de muitos hotéis, postos de gasolina, do chocolate quente, do pessoal que vende laranja nas ruas, até a Prefeitura e o Governo do Estado ganham nisso, através do retorno dos impostos.  

Podemos observar que ele cresceu tanto que devemos também pensar no futuro. Acredito que, daqui para frente, os Governantes devam arrumar mais dinheiro para que seja encontrada uma área maior onde todo o Festival seja feito, porque esse de hoje não cabe mais, a cidade fica lotada e tem noite que a polícia fecha a praça Mestre Dominguinhos para não entrar mais ninguém. Então, é de grande importância que tenha uma infraestrutura tão grande quanto à festa.

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