Massacre de Eldorado dos Carajás

Conheça mais sobre esse conflito polêmcio

 

1 – No município paraense de Eldorado dos Carajás, um conflito entre membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e policiais militares resultou em 21 mortes de pessoas ligadas ao MST. Este fato, ocorrido em 17 de abril de 1996, gerou a revolta popular e sérias consequências para governantes e PMs envolvidos.

 

Créditos: Carlos Latuff/Wikimedia Commons
Charge de Carlos Latuff

 

2 – Os sem-terra de Eldorado estavam fazendo uma caminhada até Belém visando pedir a desapropriação de terras para se estabelecerem no município. Havia cerca de 1500 pessoas nesse protesto, que estava bloqueando a BR-155. O governador do Pará e o Secretário de Segurança ordenaram que a PM fosse enviada para liberar a via.

 

Caixões dos mortos no massacre de sem-terras levados para enterro cobertos por bandeiras do MST

 

3 – Segundo relatos das testemunhas, a polícia já chegou usando gás lacrimogêneo. Os mais de 150 PMs enviados para tratar do caso usaram de violência desnecessária e excessiva, o que causou a morte de 19 pessoas no local e mais 2 no hospital. 67 sem-terra ficaram feridos. A ação causou comoção nacional, implicando na demissão do Ministro da Agricultura da época.

 

Momento do sepultamento das 19 vítimas do massacre no cemitério de Curionópolis. Foto: João Roberto Ripper

 

4 – O Massacre de Eldorado dos Carajás teve poucos culpados condenados: apenas o coronel que foi o comandante do ataque e seu subcomandante, um major, pegaram grandes penas. Até o Exército teve que ser mandado para o município visando manter a ordem e diminuir a violência na localidade. Em muitos relatos é falado que fazendeiros locais pagaram propina aos policiais para que eles eliminassem os principais líderes do MST na região. Os proprietários de terra temiam que suas fazendas fossem desapropriadas.

 

Cruz marca o local do massacre em Eldorado do Carajás

 

5 – Mesmo com todos os policiais participantes sendo indiciados, apenas os dois citados acima foram condenados. Não foram feitas perícia e simulação do crime, que se manteve impune para muitos. No local do massacre foram plantadas 19 árvores em homenagem aos que morreram lá. Oscar Niemeyer (saiba mais aqui) projetou um monumento, que foi rapidamente construído na cidade vizinha de Marabá. O assentamento do MST de Eldorado dos Carajás foi batizado de 17 de Abril, como forma de relembrar o acontecimento.

 

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