Presidentes do Brasil – Parte 1

Descubra curiosidades e fatos sobre os presidentes brasileiros de 1889 a 1955

 

Por Audálio Machado

 

Após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, o Brasil deixava para trás 67 anos de monarquia e iniciava um novo capítulo em sua história. Mesmo passando por vários percalços, a República Presidencialista brasileira permanece como nossa forma de governo. Neste artigo e na próxima semana serão listados todos os presidentes brasileiros que permaneceram mais de um mês no cargo. Conheça e/ou descubra mais acerca de nossos governantes. No fim da matéria temos uma apresentação de slides com os presidentes citados.

 

República Velha

 

Marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891): natural de Alagoas, foi o proclamador da República e primeiro presidente do Brasil (confira nossa matéria sobre ele aqui). Permaneceu pouco mais de um ano como interino, até ser eleito em 1891. Apenas 9 meses depois deixou o cargo, motivado pela instabilidade política e econômica e a saúde frágil. Durante seu mandato houve a promulgação da Constituição Republicana de 1891, a criação do Código Penal Brasileiro em 1890, a mudança para o Federalismo e a separação da Igreja do estado.

 

Marechal Floriano Peixoto (1891-1894): também nascido em Alagoas, Floriano assumiu como vice e permaneceu até o restante do mandato. Conhecido por seu pulso firme e enérgico na tentativa de estabilizar a República, ficou conhecido como “Marechal de Ferro”. Suprimiu com grande truculência diversas revoltas ocorridas no país durante o seu governo. No final das contas, ajudou a consolidar as novas instituições políticas da época.

 

Prudente de Moraes (1894-1898): paulista, foi o primeiro presidente civil e eleito popularmente no Brasil. Político de grande experiência, ele representava a oligarquia cafeicultora de São Paulo. Durante seu mandato enfrentou fortes dificuldades, incluindo questões diplomáticas, crise econômica e a Guerra de Canudos.

 

Campos Sales (1898-1902): natural de Campinas-SP, foi quem introduziu a Política dos Governadores (ou Política dos Estados), que fortaleceu os governadores e os coronéis municipais (saiba mais sobre o coronelismo). Também se destacou no combate à crise financeira, renegociando a dívida externa brasileira e combatendo a inflação e a desvalorização da moeda.

 

Rodrigues Alves (1902-1906): paulista, já era um experiente político quando assumiu a presidência. Se destacou com a grande campanha de vacinação liderada por Oswaldo Cruz e a remodelação urbana do Rio de Janeiro, capital federal na época. Teve muito sucesso econômico em decorrência do quase monopólio brasileiro sobre a produção de borracha no mundo. Também foi responsável pela compra do Acre junto a Bolívia.

 

Afonso Pena (1906-1909): foi o primeiro presidente mineiro da história, tendo sido também governador de Minas Gerais, vice-presidente e deputado federal. Teve destaque na construção de ferrovias que ligavam diversas partes do Brasil, além de estimular a imigração (principalmente a japonesa). Faleceu sem ter completado o mandato.

 

Nilo Peçanha (1909-1910): carioca, assumiu o país como vice-presidente em decorrência da morte do antecessor. Seu pouco tempo no poder foi marcado por diversas disputas políticas na sucessão presidencial. Se sobressaiu ao criar o Serviço de Proteção aos Índios (antecessor da FUNAI) e o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria.

 

Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914): primeiro presidente gaúcho, era sobrinho de Deodoro da Fonseca e tinha extensa carreira militar. Após voltar de viagem a Europa, foi indicado pelo presidente anterior para assumir o cargo. Enfrentou em seu governo a Revolta da Chibata e a Guerra do Contestado, além da piora dos índices econômicos. Teve destaque nas obras de infraestrutura, como ferrovias e estradas.

 

Venceslau Brás (1914-1918): mineiro, no início do seu mandato teve que acabar com o conflito no Contestado, herdado da gestão do seu antecessor. No seu governo houve a epidemia de gripe espanhola e a Primeira Guerra Mundial, na qual o Brasil entrou em 1917 após declarar guerra contra a Alemanha (a participação brasileira foi bem pequena). Brás sancionou o primeiro Código Civil Brasileiro, em 1916.

 

Delfim Moreira (1918-1919): assumiu como vice, após a morte de Rodrigues Alves antes de adentrar na presidência. Natural de Minas Gerais, ficou menos de um ano no governo, sendo considerado o primeiro presidente interino do Brasil. Acometido por uma doença e diversas greves, não conseguiu exercer bem o cargo.

 

Epitácio Pessoa (1919-1922): paraibano de nascença, foi eleito presidente em novas eleições organizadas após a morte de Rodrigues Alves. Foi uma grande personalidade brasileira, ocupando vários cargos importantes durante sua trajetória: deputado federal, senador, ministro da Justiça, ministro do Supremo Tribunal Federal e procurador-geral da República. Focou seu governo na construção de ferrovias e na tentativa de melhorar a situação dos nordestinos em relação à seca. Porém, seu mandato foi marcado pela agitação política e pelo surgimento do tenentismo, movimento formado por oficiais de baixa patente que pediam reformas profundas no Brasil.

 

Artur Bernardes (1922-1926): natural de Minas Gerais, assumiu o governo em um período conturbado, tendo que combater a Coluna Prestes – ação dos tenentistas para pregar as mudanças que queriam para o país. Devido às várias revoltas decorrentes do tenentismo e do descontentamento dos militares, boa parte do seu mandato decorreu com o Brasil em estado de sítio.

 

Washington Luís (1926-1930): carioca, foi um político de grande renome nacional. Mesmo tendo trazido maior estabilidade ao país, sofreu no fim do governo com a crise econômica internacional e a consequente desvalorização do café brasileiro. Fez um bom mandato, tendo criado a Polícia Rodoviária Federal e uma reforma financeira, monetária e cambial. Foi retirado do cargo pouco antes do fim, devido à Revolução de 30, que alavancou Getúlio Vargas ao poder.

 

Era Vargas

 

Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951 a 1954): gaúcho, foi o líder da revolta que retirou o antecessor do cargo. Entre 1930 e 1934 ficou como presidente interino. Durante o processo de criação de uma nova Constituição, foi eleito para a presidência constitucional pelos deputados. A partir de 1937 instaurou uma ditadura. Nesses 15 anos que passou no poder, Vargas instituiu a Justiça Eleitoral e o Código Eleitoral Brasileiro; fomentou à industrialização; criou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho); implantou agências reguladoras e energéticas; e permitiu a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. No fim de 1945 foi deposto por uma junta militar.

No seu segundo governo, foi eleito democraticamente e mais uma vez fez várias mudanças positivas para o Brasil: criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, futuro BNDES) e fundou a Petrobras. Também implementou diversas mudanças na área trabalhista. Devido a uma crise política causada por um atentado a um dos seus principais opositores (Carlos Lacerda) e a iminência de um golpe militar, Getúlio Vargas se suicidou em agosto de 1954.

 

José Linhares (1945-1946): primeiro cearense a assumir a presidência, Linhares era presidente do STF quando foi convidado a assumir o cargo de governante do país pelas Forças Armadas logo após a retirada de Vargas do poder. Ficou pouco mais de 3 meses no cargo, não tendo tempo para agir.

 

República (1946-1964)

 

Marechal Eurico Gaspar Dutra (1946-1951): natural do Mato Grosso, foi eleito democraticamente. Em seu mandato teve dificuldades financeiras, mas conseguiu através do SALTE (um programa de fomento à saúde, alimentação, transporte e energia) finalizar várias rodovias e implementou a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF) que havia sido criada por Vargas. No seu governo também ocorreram a Copa do Brasil e a criação da TV Tupi, em 1950.

 

Café Filho (1954-1955): Nascido em Natal-RN, assumiu como vice após o suicídio de Getúlio Vargas. Em seu ano como presidente se destacou pelas medidas econômicas liberais.

 

Bem, na próxima semana trataremos sobre a segunda parte da história dos presidentes brasileiros. Será tratado o final da República que durou até 1964, a ditadura militar e a Nova República brasileira. Na linha temporal, iremos falar sobre os governantes do Brasil de 1955 até os dias atuais. Até lá!

 

Presidentes do Brasil (1889-1955)

 

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Presidentes do Brasil (1889-1955) - Fotos de todos os presidentes do período em ordem cronológica.
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