Presidentes do Brasil – Parte 2

Conheça os presidentes brasileiros de 1955 até os dias atuais

 

Por Audálio Machado

 

Na matéria da semana passada falamos dos presidentes do Brasil até 1955, fechando o artigo com Café Filho. No texto dessa quarta-feira, irei completar a lista dos governantes brasileiros até os dias atuais. Lembrando que no final da página há um slide com as fotos dos indivíduos citados.

 

República (1946-1964)

 

Nereu Ramos (1955-1956): único catarinense a governar o Brasil, ficou no cargo por 80 dias. Assumiu devido ao afastamento do antecessor por razões de saúde, o suicídio de Getúlio Vargas e o impedimento do Presidente da Câmara Carlos Luz de assumir, em um movimento liderado pelos militares. Completou o mandato provisório sob estado de sítio.

 

Juscelino Kubitschek (1956-1961): mineiro, ficou famoso pelo seu Plano de Metas, que tinha o slogan “Cinquenta anos em cinco”. Investiu pesadamente na infraestrutura, criando algumas estatais hidrelétricas e rodovias nacionais. Também ficou conhecido por abrir o Brasil ao capital estrangeiro e ao aumentar consideravelmente a indústria automobilística brasileira. No seu governo houve a construção de Brasília, obra gigantesca que foi concluída em apenas 40 meses. Ainda teve a sorte de ser o presidente na época em que o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo. No entanto, suas obras e empréstimos no exterior aumentaram muito tanto a dívida externa, quanto a dívida interna brasileiras.

 

Jânio Quadros (1961): natural do Mato Grosso do Sul, ficou apenas 7 meses no cargo. Mesmo tendo sido eleito de forma avassaladora, Quadros não suportou a pressão dos militares e da própria base aliada, que se voltou contra ele por conta da sua relação relativamente amigável com Cuba e pela proposta de reforma agrária que o presidente tentava emplacar no Congresso. Muitos dos aliados da Presidência eram ligados aos latifúndios, e as Forças Armadas eram alinhadas com os Estados Unidos, inimigos cubanos. Para completar, Jânio estava tentando estatizar empresas e alguns recursos minerais brasileiros, o que desagradou ainda mais certos setores da política e da sociedade.

 

João Goulart (1961-1964): gaúcho, assumiu o governo após a renúncia do antecessor. Desde o início não era querido pelos militares e diversos políticos, pois era alinhado com partidos de esquerda e pregava reformas sociais no Brasil. Goulart e seus ministros pretendiam implementar reformas agrária, educacional, urbana e fiscal. O plano não deu certo pela forte pressão política e social durante seu mandato. Havia o medo de haver um golpe de orientação comunista por parte do presidente. No início de 1964 os militares aplicaram um golpe de estado com apoio de uma boa parcela da população e depuseram João Goulart.

 

Ditadura Militar

 

Marechal Humberto Castelo Branco (1964-1967): cearense, foi o primeiro presidente da ditadura militar. No seu governo outorgou vários Atos Institucionais e decretos-leis, que implementaram a eleição indireta para o presidente e os governadores, além de permitir apenas 2 partidos no país. Se destacou pela criação de uma nova moeda nacional, do Banco Central, da Polícia Federal e os Códigos Eleitoral e Tributário.

 

Marechal Artur da Costa e Silva (1967-1969): nascido no Rio Grande do Sul, ficou pouco mais de 2 anos no cargo. Foi responsável por decretar o Ato Institucional n° 5, que aumentou a repressão do governo contra a oposição, movimentos estudantis e sindicatos. tentou diminuir a inflação e melhorar o comércio exterior brasileiro.

 

General Emílio Garrastazu Médici (1969-1974): mais um gaúcho que governou o país, teve um mandato de quase 5 anos. O seu mandato foi o período de maior repressão, sendo contabilizados vários casos de tortura, desaparecimento de presos políticos e assassinatos de opositores. Mesmo com essa página sombria da história brasileira, o governo Médici alcançou grandes níveis de crescimento econômico, o que permitiu a construção de diversas obras de infraestrutura e o apoio à indústria e à agricultura. Nessa época também foi criada a Infraero.

 

General Ernesto Beckmann Geisel (1974-1979): natural do Rio Grande do Sul, permaneceu 5 anos como presidente. Foi responsável pelo início da reabertura política do país, ao mesmo tempo que manteve os altos índices econômicos do governo anterior. Demitiu alguns dos responsáveis por torturas e mortes no seu mandato, enquanto afastou dos círculos do poder militares contrários à redemocratização. Mesmo com essas ações, o Brasil viu crescer a inflação e a dívida externa.

 

General João Figueiredo (1979-1985): carioca de nascença, foi o último presidente da ditadura militar. Se destacou por conduzir o processo de reabertura política do Brasil, concedendo anistia aos exilados e permitindo o sistema partidário com mais de dois partidos. Sofreu no aspecto econômico e financeiro, tendo que recorrer a empréstimos estrangeiros.

 

Nova República

 

José Sarney (1985-1990):  maranhense, assumiu como vice após a morte de Tancredo Neves, presidente civil eleito indiretamente pelo Congresso. É um experiente político, tendo passado por praticamente todos os cargos do alto escalão em Brasília e no seu estado. Mesmo com um bom crescimento econômico, o Brasil sofria com a inflação altíssima. Então, o governo Sarney implantou uma nova moeda, o Cruzado. Também foi em seu mandato que a Constituição Federal atual foi promulgada, em 1988.

 

Fernando Collor (1990-1992): natural do Rio de Janeiro, fez sua carreira política em Alagoas. Eleito presidente com apenas 40 anos (o mais jovem da história), prometia modificar a gestão do país. No entanto, suas medidas econômicas extremamente impopulares e os escândalos de corrupção do seu governo fizeram com que Collor tivesse que renunciar para não sofrer impeachment do Senado. Mesmo com a renúncia, os senadores ainda cassaram os direitos políticos de Collor por 8 anos.

 

Itamar Franco (1992-1995): mineiro, era vice de Fernando Collor quando assumiu a presidência em decorrência do afastamento do antecessor. Foi responsável por implementar o Plano Real, com a criação de uma nova moeda e a tentativa de reduzir a hiperinflação. No seu mandato também foi realizado um plebiscito para escolha da forma e do sistema de governo no Brasil:  a República e o presidencialismo saíram vencedores da disputa.

 

Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2003): carioca, é um político e acadêmico de grande renome. Na área econômica se destacou por estabilizar a economia brasileira e pelas privatizações de grandes empresas estatais e estaduais. No entanto, seu mandato foi marcado pelo alto desemprego. Deu início às políticas sociais e tentou introduzir diversas reformas (burocrática, fiscal, tributária e previdenciária), mas só conseguiu passar alguns pontos propostos. Se destacam a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Bolsa-Escola.

 

Luís Inácio Lula da Silva (2003-2006 e 2007-2011): primeiro pernambucano presidente, foi um sindicalista antes entrar na política. Após várias tentativas frustradas de se eleger, ao assumir o Governo Federal capitaneou a criação dos programas Bolsa Família e Fome Zero, que conseguiram tirar várias famílias da miséria e de situações de desnutrição. Na área econômica houve um momento de crescimento, com baixo desemprego e superávit financeiro, além do aumento da renda média dos brasileiros. Também se destacou nas obras de infraestrutura. Contudo, os seus governos foram marcados por alguns escândalos de corrupção, como o Mensalão e o escândalo das Sanguessugas.

 

Dilma Rousseff (2011-2014 e 2015-2016): mineira, foi a primeira presidente mulher do Brasil. No início do primeiro mandato tinha uma grande aprovação, devido à demissão de ministros suspeitos de corrupção e medidas econômicas que visavam realimentar a economia brasileira. No entanto, a partir das manifestações de junho de 2013 o governo passou a sofrer certa instabilidade. A situação piorou após a perda da Copa do Mundo de 2014, na qual o Brasil era o anfitrião. O segundo mandato foi marcado por uma grande crise econômica e política, que ocasionou o impeachment de Dilma em agosto de 2016.

 

Michel Temer (2016-atualmente): paulista, assumiu como vice em um ambiente político marcado pela instabilidade. Está tentando emplacar medidas econômicas que visam tirar o país da crise, além das reformas trabalhista, previdenciária e política, que encontram grande rejeição da sociedade. Também sofre com uma conjuntura política complicada, já tendo escapado de uma abertura de processo de impeachment.

 

Presidentes do Brasil (1955-atualmente)

 

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Presidentes do Brasil (1955-atualmente) - Fotos de todos os presidentes do período em ordem cronológica.
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