A questão da cidade precisa ser recorrente

Qual a importância que você dá para sua cidade?

 

Por Rebecca Dantas

 

Perdoem-me se vou ser monotemática, mas assim pretendo ser pelos dias que ainda virão.

A questão da cidade precisa ser recorrente. As ruas, os espaços públicos, as casas, os postes gritam pedindo a sua atenção. Há pessoas hoje que lutam pelo espaço que você terá amanhã. Até quando você deixará que os outros tomem conta do que é seu? Isso, a casa é sua, a rua é sua, o bairro é seu, a cidade é sua, o país é seu. Não canso em pensar no Rio Capibaribe “um diplomata pernambucano que cuida tão bem de nós e cuidamos tão mal dele”.

Ainda estes dias eu estava pensando… nós somos instigados diariamente a consumir. Consumimos uns aos outros, colecionamos sapatos, likes e a ansiedade nos consome. Ultimamente eu tenho colecionado espaços públicos, e digo com orgulho que são 9 (NOVE) no meu trajeto diário de casa para a faculdade. Agora eu saio perguntando por aí se as pessoas sabem quantos existem ao redor de suas casas, e sigo saltitante em minhas contagens quando eu perco (alguém tem mais espaços verdes do que eu) e esperançosa quando eu ganho. Eu adoraria se você quisesse competir comigo também e colocar seus números abaixo.

 

Espaços públicos de lazer e convivência são fundamentais nas cidades contemporâneas

 

Porque na verdade a luta é subversiva, é coletiva, e quem ganha é a cidade. Quem dera fôssemos consumidos pela vontade de limpar o Capibaribe e outros rios no nosso estado, de tornar a cidade acessível, cada dia mais criativa, em cobrar melhorias das gestões mas também fazer a nossa parte. Quem dera tivéssemos o orgulho de morar na nossa rua e fazer piquenique em nossos parques; quem dera a vontade de sair para passear aos domingos fosse a mesma vontade que temos de sair correndo pra visitar a Europa (e que se diga que temos coisas tão lindas ou mais que as deles).

A luta também permeia uma linha tênue ao que me consome e ao que me deixo consumir. Atenção, isso pode ser perigoso. Tenho me deixado consumir mais pela esperança do que pelo desespero, pelas pessoas positivas, criativas e resilientes. Pelos exemplos de cidades resilientes. Por Medellín, por Bogotá, mas também por Palmares, por Cumaru e por Cortês, que sofrem com as cheias. Capazes de se reinventar e correr, correr sem olhar para trás para o futuro brilhante, muitíssimo difícil de alcançar, mas ideal para todos.

 

Como serão as cidades do futuro? Como nesta simulação ou exatamente o oposto? A escolha depende de nós!

 

Ainda ontem conversava com uma mulher cheia de vontade de mudança. Ela me dizia que a ‘’xingavam” de idealista por querer fazer algo a mais para a sua cidade porque sabia do potencial que tinha para fazer a diferença como cidadã. Silvia, meus amigos, é talvez a mais realista daquele lugar.

Nós vivemos em um país em evolução, com inúmeras dificuldades, com uma sujeira de corrupção, mas se não é possível começar lá de cima, que comece por nós, porque a história se constrói em união e todos nós precisamos ser protagonistas.

Já morei em Paris, já morei na Inglaterra, mas Recife, você tem sido a história de amor mais linda que já vivi até hoje. Poder te enxergar nos mínimos detalhes (pessoas e lugares), cuidar (das pessoas e lugares), te ouvir (pessoas e lugares), te abraçar (pessoas e lugares) por meio daqueles que vivem pra ti, e de ti que vive pra eles.

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •