Tecnologias Cívicas

Utilizando tecnologia para fortalecer a cidadania e melhorar os serviços públicos

 

 

Por José Augusto Branco

 

 

Estamos cansados de escutar que a tecnologia é o futuro do planeta. A afirmação é verdadeira, mas precisa de uma correção. Apenas um acréscimo: É o futuro e o presente!

Já falamos aqui nesse blog sobre os efeitos que surgem devido a esse avanço tecnológico e como a sociedade é impactada negativamente (saiba mais aqui). Também falamos sobre os conflitos que a tecnologia enfrenta com a legalidade brasileira (saiba mais aqui). Agora vamos discutir um pouco sobre o outro lado da moeda, o lado mais importante: Como a tecnologia impacta positivamente a sociedade! Para isso, falaremos sobre Tecnologias Cívicas.

Tecnologias Cívicas (ou Civic Tech em inglês) é um termo utilizado para descrever a nova geração de iniciativas que usam tecnologia para colaborar com a cidadania e com o serviço público. Também está muito ligado ao conceito de Tecnologia Colaborativa, que tem como essência a participação da sociedade na sua construção e melhoria. Podemos então dizer que as tecnologias colaborativas tornaram a produção de conhecimento mais democrática, permitindo com que pessoas do mundo inteiro troquem informações de forma horizontal.

 

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Tecnologias cívicas podem ser utilizadas para ajudar o serviço público e a sociedade

 

Mas afinal, qual a ligação entre tecnologia cívica e tecnologia colaborativa? Se por um lado as tecnologias colaborativas democratizam a produção de conhecimento, por outro lado as tecnologias cívicas têm como objetivo democratizar a vivência das pessoas, contando também com a participação cidadã.

Entendendo que todo tipo de aplicação de tecnologias da informação e comunicação (TICs) para promover o engajamento cívico e a participação cidadã em favor do bem comum é considerada uma tecnologia cívica, a sociedade civil é essencial nessa inovação social. Diversos agentes da sociedade civil, principalmente organizações colaborativas, tem incentivado e realizado iniciativas de inovação social digital, com base em tecnologias livres, conhecimento aberto, redes abertas e dados abertos, tornando a própria sociedade mais empoderada, informada e participativa.

 

civictech

“A sociedade civil é essencial nessa inovação social”

 

No Brasil temos vários exemplos que demonstram um maior interesse da população e da gestão pública em relação a utilização de tecnologia para construir uma sociedade melhor.

Eventos de imersão social e tecnológica, como por exemplo Hackatons, Startups Weekends, Transformadores Colab, dentre outros. Cada vez esses eventos tem se voltado cada vez mais para a temática da cidade. E sua população é parte importante desse movimento. Em Garanhuns, por exemplo, ocorreu o Hack a City no ano passado, um evento internacional que tem como objetivo incentivar o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas para cidade.

 

Um exemplo de tecnologia cívica é o Colab

 

Além disso, a gestão pública também tem investido em tecnologias cívicas. Na sua grande maioria, o objetivo principal tem sido a transparência dos administradores perante a população. O melhor exemplo são os portais da transparência que são cada vez mais comuns. Também existem investimentos com outras ferramentas, como a plataforma Colab, que possibilita a participação da sociedade na gestão pública através de um aplicativo. Mapas colaborativos, eventos e outras ações que trabalham o conceito de governo aberto, colaborativo e transparente são comuns nas gestões públicas atuais.

Mas nada pode impactar mais diretamente as políticas públicas do que os movimentos sociais, e é comum ver cada vez mais iniciativas que utilizam a tecnologia para mobilizar as pessoas e pressionar o governo. Um exemplo próximo é o Meu Recife (saiba mais aqui), uma rede ativista e de mobilização social que luta por um Recife mais participativo, transparente e sustentável.

 

Meu Recife

 

Esses exemplos atrelados ao aumento no número de startups cívicas (startups engajadas na solução das causas sociais) e o incentivo do governo para a criação e desenvolvimento das mesmas, mostram que população e o governo conhecem, mesmo sem perceber, a importância das tecnologias cívicas.

 

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