Territórios e nações não reconhecidos

Conheça mais sobre povos e territórios pelo mundo que pretendem se tornar independentes

 

Por Audálio Machado

 

O mundo é dividido pelos continentes e os mais de 190 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, existem vários povos e territórios que também buscam se tornar Estados soberanos, mas encontram barreiras burocráticas, militares ou sociais. Este artigo procura destacar alguns desses locais espalhados pelo mundo e demonstrar as variações em cada um deles, pois as histórias e problemas nesses lugares são tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. É importante ressaltar que trataremos de países que querem sua independência e reconhecimento internacional, não considerando territórios autônomos, mas que não lutam pela separação, como: Porto Rico, Ilhas Faroe, Hong Kong, Taiti e várias ilhas no caribe. Confira alguns exemplos dessas nações não reconhecidas.

 

Curdistão

 

O povo curdo é a maior etnia sem país no mundo. Os mais de 25 milhões de pessoas desta nação estão espalhadas entre Iraque, Irã, Síria e Turquia. De origem muito antiga, os curdos sofrem e sofreram constantes perseguições nos países onde habitam, mesmo representando uma boa parcela da população desses Estados. Já houve vários relatos de massacres contra a etnia no Iraque e na Turquia. O território do Curdistão se estenderia por aproximadamente 500.000 km², o que também ajuda na negativa dos países que abrigam os curdos em aceitar a formação dessa nova nação independente. A grande perseguição sofrida por esse povo fez com que muitos fugissem para a Europa e a América do Norte, além de motivarem a formação de milícias curdas que visam a independência de sua etnia.

 

República da China (Taiwan)

 

Após a guerra civil chinesa, que resultou na tomada do poder pelo Partido Comunista liderado por Mao Tsé-Tung, o antigo governo fugiu para a ilha de Formosa, próxima ao continente. A partir deste momento, uma grande briga diplomática começou. A República Popular da China (a China que conhecemos) é aceita pela grande maioria dos membros da ONU, enquanto Taiwan é reconhecida por apenas 22 membros. O engraçado é que a ilha não quer se tornar independente da China continental, o governo taiwanês ainda diz ser o legítimo governante de todos os chineses. O mesmo ocorre do outro lado, pois a República Popular da China reivindica Taiwan apenas como um território seu. Acontece que Taiwan, que tem como capital Taipé, se transformou um dos lugares mais ricos e desenvolvidos do mundo. O país se tornou um dos Tigres Asiáticos (saiba mais aqui) mesmo com a pouca extensão territorial e o não reconhecimento internacional. A nação presente na ilha de Formosa é filiada a FIFA e já conseguiu 24 medalhas em Olimpíadas, incluindo cinco de ouro.

 

Kosovo

 

É um Estado parcialmente reconhecido, isso se dá pois quase 50% dos membros da ONU o consideram um país livre, enquanto os demais julgam que é apenas um território da Sérvia. Declarou sua independência em 2008 e estreou nos Jogos Olímpicos em 2016, conquistando uma medalha de ouro no judô. Mesmo pertencendo ao Estado sérvio, Kosovo possui cerca de 90% da população de origem albanesa, o que motivou a separação. Pristina é a capital e principal cidade do país, totalizando 500.000 habitantes (aproximadamente 25% dos habitantes kosovares). Outros motivos para a independência foram: maioria dos indivíduos serem muçulmanos, ao contrário da Sérvia, e a língua falada, uma variação do albanês.

 

Estado da Palestina

 

Atualmente sob controle de Israel, o território palestino é dividido em Cisjordânia e Faixa de Gaza. Com cerca de 4,5 milhões de habitantes, os palestinos, de origem árabe, querem formar um estado independente em relação a Israel, formada por judeus em sua maioria. Desde 1967, após a vitória israelita na Guerra dos Seis Dias, a área da Palestina está na mesma situação, sofrendo forte controle. Atualmente, cerca de 130 membros da ONU reconhecem o Estado Palestino, que encontra forte oposição de Israel. A situação nesses territórios levou a um forte bloqueio da Cisjordânia e Faixa de Gaza pelos israelenses, assim como a ataques terroristas pelo lado palestino. A história dessa região desde a chegada dos judeus após a Segunda Guerra Mundial sempre foi marcada por conflitos armados. A Palestina já tem equipes registradas na FIFA e participa das Olimpíadas desde 1996.

 

Saara Ocidental

 

Declarou sua independência em 1976, logo após a saída espanhola do seu território. No entanto, foi invadida ao sul pela Mauritânia, e ao Norte pelo Marrocos. Em 1979, a Frente Polisário, principal força da autointitulada República Árabe Saarauí Democrática expulsou as tropas mauritanas, mas desde então enfrenta forte oposição do Marrocos, que reivindica o território para si. Atualmente, mais de 80 países reconhecem a independência do Saara Ocidental, no entanto, o governo da Frente Polisário está exilado na Argélia. As principais cidades (incluindo a capital) e riquezas do território estão sob controle marroquino, o que dificulta ainda mais as ações dos separatistas. A população estimada de 500 mil pessoas sofre com a pobreza extrema e o difícil clima do lugar.

 

Catalunha

 

País Basco

 

Situados na Espanha, esses dois territórios já têm autonomia especial em relação às outras províncias espanholas, mas ambos pretendem se tornar Estado soberanos. A Catalunha é uma das regiões mais ricas da Espanha e Barcelona é sua principal cidade. Nesta última década o movimento pela independência catalã vem crescendo, com a realização de um referendo e diversas campanhas populares pela separação. Há cerca de 7,5 milhões de habitantes na Catalunha, que falam o catalão e/ou o espanhol.

O País basco é uma região que compreende uma considerável parcela territorial no norte da Espanha e uma pequena parte da França. Mesmo não tendo tanta força como o separatismo catalão, os bascos desenvolveram um grande grau de nacionalismo, que culminou com a criação do ETA, um grupo terrorista que pressionava o governo espanhol por meio de atentados. No começo dessa década o movimento avisou que encerraria suas atividades. São cerca de 3 milhões de habitantes, que falam o basco e/ou espanhol e francês e têm como principal cidade Bilbao.

 

Chechênia

 

Com pouco mais de 1,2 milhões de habitantes, é um território que tenta sua separação da Rússia. De maioria muçulmana, a Chechênia tenta sua separação desde o fim da União Soviética. Contudo, há uma forte retaliação do governo russo contra os chechenos, tendo havido milhares de mortes em confrontos e bombardeios. Já houve duas guerras oficiais entre russos e a Chechênia. A Rússia não quer permitir a independência da região por conta da grande produção de petróleo no local. Países como Estados Unidos e Arábia Saudita reconhecem a separação chechena.

 

Somalilândia

 

Declarou independência da Somália em 1991. Tem cerca de 3 milhões de habitantes e é um dos locais com maiores indicadores de pobreza do mundo, tendo um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,302 (extremamente baixo). A região era colônia britânica e se uniu a parte italiana do território somali em 1960. Com a grave crise do governo da Somália no começo da década de 90, decidiu se separar. A capital Hargeisa tem cerca de 30% da população do país. Incrivelmente, nenhum outro Estado reconhece a Somalilândia como uma nação independente.

Ainda há outros locais que não possuem o reconhecimento internacional suficiente para serem considerados países livres. Por exemplo, temos o Tibet que quer se separar da China desde os anos 50. Na Geórgia, as regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul já se governam autonomamente, mas ainda não conseguiram ser reconhecidas por muitos países. A República do Nagorno-Karabakh quer se separar do Azerbaijão, assim como a Transnístria que pretende se tornar independente da Moldávia. Também há a República Turca de Chifre do Norte (RTCN), que na prática já é independente de Chipre, mas não tem reconhecimento de quase nenhum membro da ONU.

 

Referências

 

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/nacoes-sem-territorio.htm

http://exame.abril.com.br/mundo/20-paises-que-fazem-parte-da-fifa-mas-nao-da-onu/

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