Viagem – Débora Viegas

Descubra como foi o intercâmbio na França desta cientista política pernambucana 

 

Nome: Débora Viégas

Idade: 26 anos

Profissão: Cientista Política

Breve Biografia: Nascida e criada em Recife, atualmente sou mestranda em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco. Amo papear e conhecer gente nova. Sou bem família, mas amo viajar e desbravar lugares desconhecidos. Esse é um dos principais motivos que me levaram a fazer intercâmbio. Eu sabia que ia amar, mas não sabia que ia ser tanto.

 

Onde morou: Lille, França

 

 

O que te inspirou/motivou a fazer essa viagem?

 

Eu sempre fui muito ativa em questão de busca de emprego/estágio desde que comecei a graduação. Mas percebia que havia uma certa desvantagem minha junto aos concorrentes que era o fato de nunca ter tido nenhuma experiência internacional para expor nas dinâmicas de grupo – o que sempre acontecia. Aconteceu, inclusive, em 100% das minhas experiências anteriores e posteriores ao intercâmbio. Isso me fazia chegar nas entrevistas com um pé atrás, porque eu sabia que um dos fatores levados em consideração ia ser exatamente este, mesmo que obviamente não o único. Além da questão do intercâmbio em si, estudar na Sciences Po. Lille abre muitas portas no Brasil e fora dele, por ser uma Universidade de Ciência Política bastante renomada na França.

 

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Quais dificuldades você enfrentou antes ou depois da sua viagem?

 

A principal dificuldade, sem dúvida alguma, foi a financeira. Meu curso não me dava a possibilidade de fazer um Ciências sem Fronteiras (febre na época) e muito menos eu tinha a disponibilidade de capital por parte da minha família para conseguir ter uma experiência dessas. Foi aí que uma amiga da faculdade apresentou a mim e a um grupo de amigos a possibilidade de fazermos intercâmbio por mobilidade bilateral, quando não teríamos bolsas para nos manter, mas os gastos de mensalidade da universidade estrangeira seriam isentos. Amadureci a ideia junto à minha família e amigos, comecei a dar aula de inglês para juntar dinheiro e conseguir ao menos resolver as questões burocráticas e de visto às minhas custas. Deu tudo certo!

Quando cheguei na França, a maior dificuldade que tive foi a de alugar apartamento. Foi uma luta de, se não me engano, duas semanas. Telefonando, mandando e-mails e tendo que ouvir que brasileiros não eram a melhor opção porque faziam muito barulho, além da exigência de um fiador. Depois disso, morei em um apartamento com uma amiga brasileira (que viajou comigo e dividíamos o quarto) e um casal de franceses. Nossa convivência dentro do apartamento com esse casal era dificílima, inclusive sentíamos certa xenofobia em alguns comentários. Passamos a ignorá-los. Ou seja, não falávamos com as pessoas com as quais compartilhávamos o apartamento.

Uma outra dificuldade que encontramos foi com o sotaque Ch’ti dos Lilloises. No primeiro ‘bonjour’ que ouvi, já percebi que todo meu estudo de francês iria facilitar as coisas, mas eu ainda ia ter muita dificuldade para me adaptar.

 

 

O que mais gostou/odiou e qual o maior diferencial de Lille para Recife?

 

O que mais gostei foi a sensação de segurança que eu tinha – apesar de não ser completa – nas ruas da cidade, no transporte, à noite e de dia. É muito libertador andar sem pensar que a qualquer momento alguém vem armado te assaltar, assim como é em Recife (medo latente ao sair de casa). Havia os chamados pick-pockets, mas que não usavam da violência para furtar. Eles aproveitavam do seu momento de distração para pegar coisas da sua bolsa sem que notasse, mas não fui vítima nem disso.  Outra coisa que amei foi a pontualidade do transporte público, a ausência de congestionamento, a arquitetura da cidade, as patisseries, a culinária, a cultura do povo, os bares, os preços das cervejas e dos vinhos (de um euro kkk) e as festas locais que sempre eram muito animadas.

Ah, uma peculiaridade da cidade era que durante a semana tinham festas das mais animadas, sempre de segunda a sexta. Sábados e domingos eram dias que aproveitávamos para fazer feira ou passear pelas áreas verdes da cidade durante o dia, porque ela esvaziava. Depois de algum tempo algum morador me explicou que Lille é considerada uma cidade universitária e, por isso, os estudantes passavam os finais de semana nas suas cidades de origem e voltavam nos domingos à noite para passarem a semana estudando.

 

“Ah, uma peculiaridade da cidade era que durante a semana tinham festas das mais animadas, sempre de segunda a sexta”.

 

O que mais detestei foi o distanciamento que o povo francês tem entre eles e os estrangeiros. Eu não consegui ter muita proximidade com nenhum francês, apenas com intercambistas de outras nacionalidades. E esse era um relato coletivo. Assim, não me senti acolhida pela França. É um local que obviamente gostaria de visitar novamente, mas pensaria duas vezes em morar uma vez mais. Outra coisa que me fez sentir muita saudade de casa foi o clima. Eu cheguei em agosto e era verão. Tudo ensolarado, maravilhoso. Mas de novembro para fevereiro, meu último mês, a cidade era cinza, não havia um único dia de sol mais. Quando nevava, eu só tinha vontade de ficar em casa, com o aquecedor ligado para não sofrer de frio na rua. Afinal, vivo em Recife. Calor é minha realidade o ano inteiro.

 

Quais dicas você daria para alguém que quer visitar Lille?

 

Primeiramente, chegue pela estação “Gare Lille Flandres”, linda, cenário de filme. Saindo da estação, busque a Grand-Place e se deslumbre com a arquitetura por lá. De lá, você tem acesso ao obelisco da cidade, ao teatro, aos restaurantes maravilhosos e às Patisseries (típica doceria francesa especializada em bolos e doces). Definitivamente visite uma Patisserie. Visite também o Palácio de Belas Artes de Lille, um museu enorme, com grande variedade de obras e que conta um pouco da história da cidade também.

 

Os famosos mexilhões com fritas de Lille

 

À noite, é obrigatória uma passada pela Rua Solferino. É lá onde se encontram os jovens nos bares mais badalados da cidade. Se quiser algo mais intimista, uma ida à Vieux Lille, uma parte antiga da cidade, é essencial. Uma área mais boêmia e que respira cultura.

Aos domingos, tem o Mercado de Wazemmes para quem quer fazer umas comprinhas de frutas, variedades e usados.

Ah, não poderia esquecer. Se você visitar a cidade no final de agosto, não perca a chance de passar o dia no centro da cidade comendo mexilhões com batata frita, prato típico da cidade e bastante conhecido na festa e à noite saia pela Solferino para badalar um pouco mais.

 

Quais lugares você conheceu durante seu intercâmbio?

 

Visitei Bruges, Antupérpia, Ghent e Tournai na Bélgica. Depois fiz uma viagem para conhecer Dublin e Londres em um feriadão. Encontrei passagens baratíssimas para Budapeste e tive o prazer de conhecer essa cidade. Conheci também Amsterdã, na Holanda. Além da linda Itália, onde conheci Roma, Florença, Pisa e Milão. Ah, e Paris <3.

 

 

Quais os próximos locais que você pretende conhecer?

 

Essa é difícil, porque eu viciei em viajar e agora tudo o que penso é conhecer novos lugares. Tenho muita vontade de conhecer melhor a América do Sul: Argentina, Chile, Peru, Colômbia. Morro de vontade de ir no México. Queria conhecer os Estados Unidos e Canadá também. Na Europa, senti falta de conhecer a Alemanha, a Espanha e Portugal. Tenho vontade de ir ao Marrocos, à Índia, à África do Sul e à Austrália. São desejos, mas espero torná-los realidade ao longo dos anos.

 

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