Acontecimentos

5 curiosidades sobre a Batalha de Diu

A batalha que mudou o domínio do comércio global

 

1 – Entre o final do século 15 e o início do século 16 Portugal despontou como uma potência naval europeia. Desbravando os oceanos e as recém descobertas terras no Brasil, África, Oriente Médio e Sudeste Asiático, as forças portuguesas enfrentavam dificuldades para implantar seu poderio principalmente na Índia, principal pretensão comercial da monarquia lusa. Em 1505, D. Francisco de Almeida foi indicado para ser o primeiro vice-rei da Índia. Conhecido pelo seu caráter e coragem incorruptíveis, o nobre português aceitou o cargo com o objetivo de assegurar o controle das cidades recém-conquistadas e também tentar expandir os domínios na região.

 

D. Francisco de Almeida

 

2 – Em seu caminho para a sede do governo em território indiano, dominou as cidades de Quiloa (na atual Tanzânia) e Mombaça (no Quênia [saiba mais aqui]), importantes portos africanos no Oceano Índico. Chegando na Índia, Francisco de Almeida estabeleceu fortes em Cochim e Cananor, cidades aliadas. Entretanto, em 1508, o sultão de Guzerate, um reino inimigo dos portugueses pediu ajuda ao Sultanato Burji do Egito e ao Império Otomano, maior potência muçulmana da época. Desse fato, se desenrolou a Batalha de Chaul, na qual pretendendo defender o porto da cidade de mesmo nome, o filho do vice-rei, D. Lourenço de Almeida acabou morto por uma frota egípcia e indiana com marinheiros turcos.

 

Parte da batalha no Oceano Índico

 

3 – Mesmo sendo um homem culto e bom governante, Francisco de Almeida ficou completamente abalado pela morte do filho. Criou a ideia obsessiva de se vingar do almirante mameluco do Egito e do comandante Guzerate que o haviam derrotado. Nesse meio tempo, recebeu o comunicado de D. Manuel I, rei de Portugal, que seria substituído por Afonso de Albuquerque no ano seguinte. Desse modo, partiu com a frota naval portuguesa em busca dos seus inimigos. Encontrou-os em águas próximas da cidade de Diu.

 

Fortaleza de Diu, a mais importante fortificação da Índia Portuguesa (1535-1536)

 

4 – Encontrou os já conhecidos almirantes Amir Husain Al-Kurdi (conhecido como Mirocem pelos portugueses), do Sultanato Burji do Egito, e Malik Ayyaz (chamado de Meliqueaz pelas tropas portuguesas), do Sultanato de Guzerate e governador de Diu na época. Eles haviam sido os responsáveis pela morte de D. Lourenço. Desta vez contavam com mais reforços turcos e com o apoio de Calecute (outro reino indiano inimigo de Portugal) e de Veneza (cidade-estado italiana conhecida por seu comércio marítimo). Ainda se recuperando da Batalha de Chaul, as forças inimigas dos portugueses não esperavam que fossem cassadas tão rapidamente.

 

Imagem do navio Frol de la Mar, nau capitânia da armada portuguesa
na Batalha de Diu e um dos mais valiosos navios da história portuguesa.

 

5 – No começo do dia 3 de fevereiro de 1509, a esquadra portuguesa invadiu o porto de Diu, reagindo ao fogo das fortalezas da cidade. Em uma ação rápida, vários barcos e pequenos navios auxiliares inimigos foram afundados. Sob o comando de D. Francisco de Almeida, os portugueses afundaram 4 naus e capturaram outras 6, além de tomar 2 galés dos muçulmanos. A marinha inimiga foi completamente aniquilada nesse confronto. A frota de Portugal não perdeu nenhum navio e sofreu 30 baixas, enquanto os indianos, egípcios e turcos perderam cerca de 3000 vidas. A Batalha de Diu serviu como ponto de exclamação da força naval portuguesa. Desde o seu acontecimento até o início do século 16, foi visto o monopólio português do comércio no Oceano Índico.

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