Acontecimentos

7 fatos sobre a Primeira Cruzada

Conheça mais sobre esse conflito marcante 

 

1 – Antecedentes

Em uma época marcada pela dominação muçulmana de Jerusalém, cidade sagrada para os cristãos pela crucificação de Jesus Cristo, o Papa Urbano II clamou pela ajuda dos líderes católicos em relação a libertação do Santo Sepulcro e do fim das hostilidades muçulmanas para com os peregrinos que a visitavam. O Império Bizantino também sofria com os constantes ataques de nações islâmicas, e também não conseguia sossego para as peregrinações dos cristãos ortodoxos do seu reino.

 

O papa Urbano II numa gravura do século XIV

 

2 – A notícia se espalha

As palavras do Papa logo reverberaram, com a formação de um grande grupo de plebeus que pretendia conquistar Jerusalém, assim como de diversos nobres europeus, que visavam conquistar terras e manter o poder da fé cristã. A Primeira Cruzada foi um contra-ataque aos diversos conflitos entre cristãos e muçulmanos nos séculos passados, muitas vezes vencidos pelos seguidores do Islã. As notícias rapidamente

 

Miniatura do Cerco de Jerusalém (1099) (século XIV, BNF Fr. 22495, fol. 69v). Godofredo de Bulhão está usando uma torre de cerco para assaltar as paredes.

 

3 – A Cruzada Popular

Entre 1095 e 1096, milhares de mendigos, camponeses e cavaleiros de baixa patente partiram para o Oriente, causando grande caos por onde passavam. Nas cidades europeias onde passavam, mataram milhares de judeus, considerados infiéis também. Chegando no leste europeu começaram a passar por dificuldades nos suprimentos, além de sofrer grandes baixas em conflitos contra os búlgaros e húngaros. Os que sobreviveram, chegaram em Constantinopla, capital dos bizantinos. Mesmo cristãos, os líderes desta cidade não permitiram entrada aos cruzados, visto as grandes confusões que haviam causado. Sem ajuda e em terras desconhecidas, partiram para o combate com o Império Seljúcida da Turquia, que massacrou os integrantes do exército cristão. Cerca de 3000 sobreviventes conseguiram se refugiar e se juntaram à Cruzada dos Nobres.

 

Iluminura do massacre dos peregrinos da Cruzada Popular na Anatólia.

 

4 – A Cruzada dos Nobres

Esta expedição, organizada pela nobreza e clero europeus, formou uma força extremamente potente para se lançar ao Oriente, ao contrário da Cruzada Popular. Com a liderança religiosa nas mãos do bispo Ademar de Monteil, os líderes militares eram vários: Godofredo de Bulhões,  Raimundo IV de Toulouse, Balduíno de Bolonha, Boemundo de Taranto, Hugo I de Vermandois e Roberto II da Normandia. Esses nobres reuniram um exército de milhares de homens visando chegar na Terra Santa via terra e mar.

 

As atrocidades dos cruzados
(século XIII, Biblioteca Nacional de França)

 

5 – O começo da travessia

O primeiro empecilho da Cruzada era as diferenças entre as nobrezas católicas europeias e cristãs ortodoxas do leste europeu e Império Bizantino. Após muitos acordos, foi aceito o acampamento das tropas cruzadas em Constantinopla. A aliança dos cruzados com os bizantinos acabou após a conquista de Niceia, na qual eles foram enganados. Partiram então para Antioquia, que dominaram após um cerco de quase um ano. Também se estabeleceram em Edessa.

 

Entrada de Balduíno de Bolonha em Edessa em 1098 (pintura de J.Robert-Fleury, 1840)

 

6 – Jerusalém

Apenas após 3 anos desde a sua partida, os cruzados se aproximaram da Terra Santa. Desprovidos de água e mantimentos, saquearam e fizeram acordos com diversos muçulmanos sunitas, inimigos dos xiitas do Califado Fatímida, que dominava Jerusalém. O cerco à cidade sagrada se iniciou em 7 de junho de 1099, durando mais de um mês. Os cruzados simplesmente causaram um banho de sangue, matando muçulmanos, judeus e cristãos ortodoxos. Godofredo de Bulhões assumiu o comando da cidade, mas não aceitou o cargo de rei.

 

Os estados cruzados no Levante em 1135.

 

7 – Consequências

A Primeira Cruzada se encerrou em 1099, com a vitória cristã na conquista de Jerusalém, sua meta principal. No entanto, além de cumprir seus objetivos, os nobres católicos conquistaram muitos territórios, suficientes para formar 4 Estados: o Reino Latino de Jerusalém (1099-1291), o Condado de Edessa (1098-1150), o Principado de Antioquia (1098-1268) e o Condado de Trípoli (1102-1189). Essa mudança drástica na geopolítica do local causou grande repercussão social, econômica e militar. O contra-ataque católico causou a fúria dos muçulmanos do Egito, da Turquia e do Oriente Médio, o que ocasionou anos de muitas guerras pelo controle desses territórios.  

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