Acontecimentos

8 fatos sobre a Revolução Pernambucana

Conheça mais sobre este levante republicano

 

1 – Hoje em Pernambuco foi decretada a Data Magna do estado, um novo feriado que entrou em vigor a partir deste ano. No entanto, você sabe qual acontecimento motivou a criação deste dia comemorativo? Bem, no dia 6 de março de 1817, a Revolução Pernambucana eclodiu em Recife, com o objetivo de criar uma República no Brasil a partir do território pernambucano.

 

A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817 (imagem) inspirou a atual bandeira de Pernambuco. As três estrelas representam Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, e outras estrelas seriam inseridas ao passo que outras capitanias do Brasil aderissem oficialmente à confederação.

 

2 – Inspirados por valores iluministas (saiba mais aqui) e pela independência dos Estados Unidos conseguida alguns anos antes, os revolucionários pernambucanos tinham diversas motivações para iniciar o movimento de emancipação política: (a) predominância de portugueses na Administração Pública e no governo; (b) aumento de impostos ocasionado pela chegada da Família Real Portuguesa no Brasil em 1808 (entenda melhor aqui); (c) grande seca ocorrida em 1816; (d) diminuição das exportações de açúcar e algodão; (e) influências liberais e iluministas pregadas na Revolução Francesa e nos Estados Unidos.

 

Bênção das bandeiras da Revolução de 1817, óleo sobre tela de Antônio Parreiras.

 

3 – Os militares estavam descontentes por conta dos salários atrasados, o que ocasionava mais um fator para a eclosão da revolta. Em 6 de março de 1817, após receber voz de prisão de um superior, o capitão José Barros de Lima, conhecido como “Leão Coroado”, o matou. Junto a outros soldados revoltosos, tomou o quartel em que estava e começou a se defender das tropas monarquistas. Em pouco tempo, o governador da capitania foi cercado no Forte do Brum e se rendeu.

 

A repressão à revolução pelas tropas de D. João VI foi extremamente violenta. Óleo sobre tela de Antonio Parreiras, século XX. Domínio público

 

4 – O movimento revolucionário foi liderado por Domingos José Martins, um comerciante nascido no Espírito Santo. A revolta contou com a ajuda de muitos religiosos, dentre eles: Frei Caneca (também participou da Confederação do Equador em 1824), Padre Roma, Padre João Ribeiro e Padre Miguelinho. Os 3 últimos foram mortos durante a repressão à Revolução, tornando-se mártires em Pernambuco. Um irmão de José Bonifácio também participou do movimento, assim como o já citado “Leão Coroado”, Cruz Cabugá e Gervásio Pires.

 

Repressão à revolução – Óleo sobre tela de Antonio Parreiras, século XX. Domínio público

 

5 – A Revolução Pernambucana foi bem-sucedida no começo: o governo foi tomado, assim como o Tesouro Público. A República foi proclamada e uma Assembleia Constituinte convocada. Valores liberais foram consagrados como primordiais, como a liberdade de imprensa e de culto. Contudo, a escravidão foi mantida. O sentimento era tão intenso que nas missas o vinho foi substituído pela cachaça e a hóstias de trigo substituída pelas feitas de mandioca, produtos característicos da província.

 

Em punição pelo movimento, diversos revoltosos foram enforcados, arcabuzados e esquartejados, e a então Comarca das Alagoas (imagem), importante região açucareira, foi desmembrada de Pernambuco.

 

6 – O movimento tentou se expandir rapidamente. Emissários foram enviados por todo o Nordeste. No Rio Grande do Norte, alguns revolucionários conseguiram tomar o poder em Natal, mas foram retirados alguns dias depois. Na Paraíba o movimento cresceu apenas no interior. Na Bahia, o mensageiro Padre Roma foi preso ao chegar em Salvador, sendo fuzilado logo em seguida. Cruz Cabugá chegou aos Estados Unidos para pedir o reconhecimento da nova nação, além de pedir ajuda financeira e militar para a Revolução. Sua pauta foi bem recebida, mas antes que pudesse voltar com a ajuda a revolta já tinha sido suprimida.

 

Grupo de esculturas representando Os Revolucionários Pernambucanos de 1817 na lateral direita do Monumento à Independência do Brasil, em São Paulo.

 

7 – A repressão ao movimento foi pesada. Milhares de tropas monarquistas cercaram Pernambuco e em pouco tempo foram ganhando território. Após uma derrota decisiva em Ipojuca, os revoltosos ficaram cercados em Recife, se rendendo pouco tempo depois. Dezenas de presos morreram na cadeia. Muitos dos líderes foram feitos de exemplo, sendo enforcados ou fuzilados e depois esquartejados. Seus restos mortais foram expostos em praça pública. Alagoas, que fazia parte do território pernambucano foi separada e se tornou uma capitania diferente.

 

A cidade do Recife meio século após a Revolução Pernambucana.

8 – A Revolução Pernambucana conseguiu sucesso por pouco mais de 2 meses. Pouco tempo de fato, mas que deixou marcas para sempre em Pernambuco. Mesmo com a Independência do Brasil, houve a Confederação do Equador em 1824, que buscava a separação de alguns estados nordestinos e a proclamação de uma nova República. A bandeira do estado é inspirada na bandeira revolucionária, por exemplo. Em 2017 a Data Magna se tornou feriado no território pernambucano

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