Entrevistas

Entrevista com Fernando DDI

Conheça mais sobre este grande jogador brasileiro de futebol de areia

 

Nome: Fernando Luiz de Oliveira Valença

Idade: 37 anos

Profissão: jogador de futebol de areia pela Seleção Brasileira.

 

CONTE-NOS UMA BREVE BIOGRAFIA SUA.

 

Estou em um momento especial voltando para Garanhuns. Comecei aqui, jogando pelos juniores da AGA (saiba mais aqui). Ainda no futebol de campo joguei no Recife Futebol Clube. Já como profissional gostava muito de praticar futevôlei, então um jogador da Seleção Brasileira de Futebol de Areia me chamou para jogar no Campeonato Pernambucano da modalidade. Nessa competição me destaquei e fui logo convocado para a Seleção Pernambucana.

Depois já surgiram outros convites: fui pra Alemanha e para a Espanha. Logo em seguida fui para a Rússia, onde estou há quase 10 anos jogando pelo Lokomotiv Moscou. Comecei minha carreira de fora, de maneira internacional. Acho que sou um dos únicos jogadores que começou dessa forma.

 

Fernando DDI em treinamento pela Seleção Brasileira

 

Desse modo, fui convocado para a Seleção Brasileira, onde tenho mais de 100 jogos. A gente foi campeão do mundo ano passado nas Bahamas, campeão FIFA. Também fomos tricampeões intercontinentais em Dubai. Então, essa é minha carreira.

 

VOCÊ PODERIA FALAR COMO FOI SUA PASSAGEM NA AGA? COMO GARANHUNS LHE MARCOU?

 

Garanhuns foi minha base! Na verdade, o que mais me marcou foi o futsal, pois a AGA foi um período curto de apenas 1 ano. Joguei no Colégio XV minha vida inteira aqui. Estudava de manhã e de tarde estava no colégio pra treinar. Então sou muito agradecido e feliz por ter tido este contato com o futsal. Fui treinado pelo professor Joaquim, depois pelo professor Moisés, no Sesc. O contato maior não foi nem com o campo, mas sim com o futebol de salão.

 

QUAIS AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS CULTURAIS E COMO VOCÊ SE ADAPTOU À RÚSSIA?

 

Este é um dos fatores que mais me impactaram. Na verdade, a Rússia é bicampeã mundial, uma seleção bem forte. Hoje, 90% dos atletas da Seleção Brasileira jogam na Rússia. É o campeonato mais forte do mundo. Para vocês terem uma ideia de como é frio, já joguei em uma temperatura de -30 °C. Por isso eles fazem as partidas indoor. Mas no verão jogamos normal, em arenas descobertas. É possível perceber como a preparação e a organização podem mudar toda uma estrutura. O futebol de praia é o mais forte da Rússia.

 

Fernando ganhando um prêmio de artilheiro na Rússia

 

Realmente a adaptação não foi fácil nos primeiros anos. A língua é bastante difícil e você tem a ideia de que o russo é muito bravo e rancoroso, mas isso não é verdade. Aos poucos vamos nos adaptando, inclusive a comida. Esse é um dos fatores principais quando a gente chega.

Hoje tenho grandes amigos na Rússia, muitos amigos mesmo. Sou sempre bem recebido. Fico feliz por receber algumas homenagens lá e em outros países, mas essa daqui não tem igual (se referindo a homenagem recebida pela Câmara Municipal de Garanhuns em abril deste ano).

 

 

QUANDO VOCÊ CHEGOU NA SELEÇÃO ENCAROU GRANDES MEDALHÕES. COMO FOI JOGAR AO LADO DOS SEUS ÍDOLOS?

 

Dizer que foi fácil, não foi. Alguns jogadores de Pernambuco, quando foram lá, bateram e voltaram. Talvez por isso: pela diferenças culturais do Nordeste e por encarar o seu ídolo. Quando cheguei à Seleção, minha mente foi direcionada justamente a não ser um jogador a sair daqui de Garanhuns e Pernambuco, jogar apenas um jogo e voltar.

 

Fernando DDI em atuação pela Seleção

 

Ao invés de treinar uma vez ou dobrado, eu treinava triplicado. Não tinha tanto apoio, então eu praticava sozinho, até pela pouca divulgação do esporte. E aí quando cheguei na Seleção, não via como não ser convocado novamente, pelo meu empenho nos treinamentos.

 

QUAIS SÃO OS PRÓXIMOS PLANOS PARA A SUA CARREIRA (CLUBE E SELEÇÃO)?

 

Eu já estou com 37 anos, então já sei que estão diminuindo minhas chances. Mesmo assim, estou focando na Seleção Brasileira. Dia 16 (de abril), a gente viaja pro Rio para treinar. Passaremos 10 dias lá e depois vamos pra China. Vai ser praticamente um mês de competições importantes para a gente. É a segunda vez que vamos para a China e percebemos que o futebol de areia ainda é muito novo lá. Os chineses acolheram bem a Seleção, mas acolherem bem o esporte, principalmente.

 

Natural de Garanhuns, Fernando DDI foi campeão mundial com a Seleção Brasileira de Futebol de Areia em 2017

 

Além disso, estou seguindo outros passos em paralelo. A gente tem o Instituto Geração 4 (saiba mais aqui), uma iniciativa para 80 crianças lá em Recife. Então, o importante é dar exemplo. Hoje, meu sentimento como atleta é ser espelho e incentivar as crianças a ter essa oportunidade que eu tive.

 

COMO SURGIU A IDEIA DO INSTITUTO E QUAIS OS PLANOS PARA O FUTURO?

 

Em 2011 senti vontade de fazer o Instituto, mas nada muito ambicioso. Pensava em fazer algo para quando encerrasse a carreira ter algumas pessoas para poder orientar. Sentia que muita gente queria essa orientação. Recebia e recebo muitas mensagens em relação a isso.

 

Integrantes do Instituto Geração 4, iniciativa capitaneada por Fernando

 

Então, em 2015 surgiu a oportunidade por meio de uma lei de incentivo do estado para formar o Instituto Geração 4. O projeto fica localizado no Centro Esportivo Santos Dumont em Recife. Hoje, o Instituto é uma das referências em Pernambuco: são 80 crianças com acompanhamento psicológico, com material esportivo que eu não tive, por exemplo. Atualmente, todos os materiais são profissionais para focar não apenas no social, mas no desenvolvimento como atleta também.

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