Entrevistas

Entrevista com Francisco Saboya

Saiba mais sobre a trajetória de vida e as ideias do presidente do Porto Digital

 

Nome: Francisco Saboya Albuquerque Neto

Idade: 56 anos

Profissão: economista, professor universitário e diretor-presidente do Porto Digital

 

CONTE-NOS UMA BREVE BIOGRAFIA SUA.

 

Arcoverdense, economista, mestre em engenharia de produção, professor de Economia na Universidade de Pernambuco (UPE) e presidente do Porto Digital (saiba mais aqui) desde 2007. Também sou presidente da Divisão da América Latina da IASP – International Association of Science Parks e Coordenador da Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação da Confederação Nacional do Comércio.

 

GOSTARÍAMOS DE SABER COMO VOCÊ PASSOU A FAZER PARTE DO PORTO DIGITAL.

 

Na verdade, desde os tempos da universidade, como economista, sempre tive curiosidade pelo ramo da economia industrial, que no currículo da época era o campo que mais tinha proximidade com a inovação tecnológica. Posteriormente, tive a oportunidade de ampliar os horizontes e evoluir para a área de Gestão da Inovação de Ciência e Tecnologia. Fui empreendedor durante muitos anos, onde tive uma empresa de consultoria e desenvolvimento de software, até ser convidado para o Porto Digital em 2007.

 

 

Acumulando um pouco desta experiência de empreendedor, professor/economista e também na gestão pública, já que fui secretário de Desenvolvimento Econômico do Cabo de Santo Agostinho, me considero uma tríplice hélice ambulante. Posso perceber que há uma forte representação de vivências nas esferas pública, privada e acadêmica. Desse modo, pude perceber que poderia dar alguma contribuição para o desenvolvimento deste parque tecnológico, que é uma referência nacional.

 

FRANCISCO, QUAL A IMPORTÂNCIA DO PORTO DIGITAL PARA O DESENVOLVIMENTO DO RECIFE E PERNAMBUCO?

 

O Porto Digital nasceu em um contexto muito adverso para a nossa economia. Havia uma modelo decadente baseado em valores tradicionais, em uma época marcada pela globalização, a dissolução das fronteiras econômicas e o aumento do comércio entre os países. Então, aqueles que não tivessem mais competitividade não sobreviveriam. E nós não tínhamos essa capacidade! Desse modo, o Porto Digital representava uma oportunidade de conexão entre nossa economia tradicionalista com a nova economia global, que faz do conhecimento a base da prosperidade.

 

Sede do Porto Digital em Recife

 

A inovação é filha do conhecimento e os negócios que inovam são mais competitivos. Se a cidade também inova, assim como as empresas, também se tornarão mais competitivas. Então, com a presença do parque tecnológico e outros recursos, é capaz de atrair empresas de outros locais e de criar seus próprios empreendimentos. O Porto Digital tem esse duplo propósito: fomento da criação de novos negócios inovadores e fornecimento de condições para a instalação de empreendimentos já existentes em outros lugares para que venham ao Recife.

Acho que o grande aprendizado da história do Porto Digital é que é possível articular no local uma experiência de caráter global. A partir da inteligência do lugar, das instituições e das lideranças pode haver esta articulação. Ou seja, um projeto local, que tenha uma perspectiva maior. Nossa meta não pode ser encerrada na BR-232, muito menos enxergar no máximo até o Recife.

 

QUAIS AS DICAS PARA O INÍCIO DESTE PROCESSO EM GARANHUNS?

 

Ao criarmos um mecanismo de apoio ao empreendedorismo e a inovação, fortemente conectado com as instituições de ensino e pesquisa, estaremos criando a semente de uma área de inovação. Não é preciso necessariamente de um parque tecnológico para iniciar essa mudança. Se eu puder deixar um recado para os colegas de Garanhuns é que comecem! Tudo tem um começo, e este pode ser modesto, mas tem que ser consistente. A soma das políticas públicas, da cultura empreendedora, das instituições de ensino e da iniciativa privada pode gerar uma incubadora de negócios.

 

Francisco Saboya (ao fundo)  em palestra no evento WTEIA (saiba mais aqui) em Garanhuns, realizado no mês de abril deste ano

 

Desse modo, nós teremos dado o primeiro passo e assim poderemos prosperar. No futuro, é possível que Garanhuns tenha uma área de inovação capaz de gerar uma dinâmica produtiva nova que retenha o jovem garanhuense na sua cidade natal. Ele não precisará sair daqui ou se frustrar nas atividades convencionais do mercado de trabalho.

 

FRANCISCO, O PORTO DIGITAL JÁ VEM EM UM PROCESSO DE INTERIORIZAÇÃO NOS ÚLTIMOS ANOS E GOSTARÍAMOS DE SABER MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO.

 

O Porto Digital foi desafiado no ano de 2014 para pensar em uma estratégia de interiorização, exatamente para promover uma maior integração entre o polo principal em Recife e outras regiões do interior do estado. Começamos esta experiência sob o nome de Armazém da Criatividade, que é uma espécie de concentrado do que temos de melhor na sede. Há uma incubadora, coworking, aceleradora, espaços de exibição e salas empresariais em um mesmo local. Atualmente, só há a unidade de Caruaru. A obra em Petrolina já foi licitada e aprovada, mas não iniciada.

 

Armazém da Criatividade em Caruaru

 

Em cidades medianas, mas menores que as anteriores, como Garanhuns, Salgueiro, Serra Talhada e Arcoverde poderemos ter uma adaptação do conceito do Armazém da Criatividade para a realidade destes municípios. A iniciativa do Armazém é realmente uma plataforma de empreendedorismo, inovação que vai muito além de uma simples incubadora, pois incorpora uma série de outros mecanismos dentro, e que não necessariamente precisa ser implantado em todos os municípios. Isto vai depender da maturidade e do porte da municipalidade. É preciso encontrar um formato apropriado a configuração específica do lugar.

O Porto Digital estará sempre a disposição, sempre trabalhando para o desenvolvimento do estado de Pernambuco!

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