Entrevistas

Entrevista com Priscila Krause

Conheça mais sobre esta deputada estadual de Pernambuco

 

Nome: Priscila Krause Branco

Idade: 39 anos

Profissão:  jornalista e política brasileira pelo partido Democratas.

 

CONTE-NOS UMA BREVE BIOGRAFIA SUA.

 

Muitos me questionam quando entrei na vida política, só que na verdade, não entrei, nasci nela. Tanto eu, quanto todos os meus irmãos, vivemos em uma casa rodeada por uma grande agitação política, por conta das funções que o meu pai Gustavo Krause exerceu. Lá em casa nós somos cinco irmãos e eu sou a segunda, sendo que fui a única que desde cedo revelou um vocação para a mesma área do meu pai.

Antes já tinha refletido muito se isso era uma influência puramente parental. Concluí que sim: fui influenciada pelo meu pai e também pela minha mãe, pois naquela época, as primeiras damas tinham um papel diferenciado nas políticas sociais e eu acompanhava muito mamãe e era exatamente onde percebia uma transformação e melhora imediata na vida das pessoas.

Então, por acompanhar sempre o meu pai na vida política e nas inaugurações, essa influência dele foi fundamental e definitiva para eu poder entender a política como um mecanismo de transformação social, sendo ela um meio para que a sociedade evolua. Também acompanhava muito a minha mãe no dia-a-dia. Foi essa influência conjunta que ajudou a me definir como sou hoje.

Quando chegou 2004, fui candidata a vereadora. Eu comecei a raciocinar sobre esse projeto de candidatura em 1999. Na véspera da eleição municipal, morava na Inglaterra fazendo um intercâmbio e teve um belo dia em que estava falando com o meu pai no telefone e ele perguntou se eu iria querer ser candidata no ano seguinte porque de vez em quando saia uma notinha no jornal. Então, pedi a ele para pensar um pouco.

 

Priscila  Krause no início de sua carreira política, como vereadora do Recife

 

Depois de uma semana mais ou menos, a gente se falou e disse a ele que havia pensado no assunto. Eu queria participar da vida pública, embora aproveitasse aquele tempo em que estava longe para aprender inglês e fazer alguns cursos sobre política, mas eu tinha muita saudade da atividade partidária e achava que de fato minha vocação é na vida pública. Em seguida ele disse: “Olhe, então você será candidata a vereadora ano que vem”. Respondi dizendo que não iria, pois não estava preparada para ser candidata ainda. Informei a ele que nesse período eu iria trabalhar reunindo forças, condições políticas e que buscaria tentar desenvolver o significado de uma candidatura minha. Logo depois, meu pai respondeu dizendo que estava muito feliz com a minha resposta e afirmou que eu realmente precisava amadurecer mais.

Desse modo, comecei a me dedicar a compreender o Recife com outros olhos, conhecer mais a cidade geograficamente, a perceber o Recife com toda a sua complexidade e passei a conversar com muitas pessoas para aprender e abrir os meus olhos para o que significava ser vereadora de uma cidade.

Em 2004 a coisa se concretizou. Nós começamos um movimento Viva o Recife em 2003. Em 2004 fui eleita com mais de oito mil votos e quando cheguei na Câmara  fiquei muito mal. A tripartição dos três poderes, quando um executa, um legisla e outro aplica as leis, era algo estranho para mim. Eu queria fazer tudo ao mesmo tempo.

 

Priscila foi candidata a prefeita do Recife em 2016

 

Comecei a questionar e a compreender o meu papel como vereadora, que tinha visto na teoria e estava conhecendo na prática. Também houve um desafio muito grande para imprimir um ritmo diferente de trabalho, um diálogo muito maior em uma época na qual não existia redes sociais, muito menos o WhatsApp, sendo que era preciso manter esse diálogo permanente com as pessoas.

Depois disso veio a reeleição em 2008. Em 2010 fui candidata à deputada estadual e não me elegi. Em 2012 foi a minha terceira reeleição e consegui a terceira maior votação. 2014 foi o ano no qual me elegi deputada estadual. Ainda me candidatei à Prefeitura do Recife em 2016. Esse ano eu pretendo me candidatar à reeleição, estou como pré-candidata a deputada estadual e se não me engano este será o meu sétimo processo eleitoral.

 

CONTE-NOS UM POUCO SOBRE O SEU PRIMEIRO MANDATO COMO DEPUTADA ESTADUAL NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE PERNAMBUCO.

 

Primeiro, apesar de uma experiência de dez anos no Poder Legislativo Municipal, a Assembleia é diferente. Ser deputada estadual exige uma visão mais ampla dos problemas do estado, identificar ações de desenvolvimento estrutural para Pernambuco que mudem efetivamente a vida das pessoas. Nós lutamos para que isso aconteça do ponto de vista socioeconômico, e tive que me adaptar a essa nova dinâmica muito maior do que uma câmara municipal, muito embora uma câmara municipal de uma capital.

Passado esse período de adaptação, busquei o tempo inteiro trabalhar e representar as pessoas que me confiaram o voto em primeiro lugar, e depois representar Pernambuco independente de qualquer coisa. Costumo dizer que sou uma deputada estadual dos pernambucanos e para os pernambucanos, então muitas vezes eu abordo assuntos que estão no sertão do estado, na zona da mata do estado, e às vezes as pessoas perguntam qual é a relação eleitoral que tenho com determinadas cidades. O que ocorre é que por acaso aquelas cidades têm questões e necessidades que são fundamentais para o desenvolvimento de Pernambuco.

 

Priscila Krause em discurso na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE)

 

Já a minha atuação na região metropolitana, que nasceu com a minha atuação política como vereadora, que foi anterior a isso tudo, e que leva a tratar mesmo que do ponto de vista metropolitano as questões que são importantes para o desenvolvimento da região e do estado.

Utilizo muito as redes sociais, pois a gente pode enxergar tudo que está acontecendo e o que está em cheque o tempo inteiro. Estamos sempre tendo que prestar contas. Então venho trabalhando e acho que estou cumprindo e fazendo jus a confiança do povo pernambucano, além de honrar aquilo que eu acho que a gente tem de mais importante em uma democracia que é o voto de cada um.

 

QUAL A SUA RELAÇÃO COM GARANHUNS?

 

A minha relação com Garanhuns é especial, é diferente. Quando eu comecei a namorar com o meu marido Jorge Branco, me elegi no ano seguinte como vereadora e já tinha uma atuação política na área do Recife. Naturalmente, no decorrer da minha vida pública, chegou a oportunidade de ser candidata à deputada estadual e me elegi em 2014. Garanhuns sempre foi uma cidade em que eu tive um carinho enorme, acho que independente das questões políticas me receberam muito bem.

Certamente, se eu não fosse vereadora do Recife quando a gente começou a namorar e depois que a gente casou, eu estaria morando em Garanhuns. A minha atividade política me fincou no Recife, principalmente após a minha atividade como Deputada Estadual. Garanhuns é uma razão e uma motivação de trabalho enorme. Enxergo-a como sendo uma cidade polo, um município fundamental para o desenvolvimento do Agreste Meridional.

 

Priscila com seu esposo Jorge Branco e o prefeito de Garanhuns, Izaías Régis

 

A família do meu esposo tem raízes políticas na cidade. Então, aprendi a ver Garanhuns a partir dos olhos de pessoas como Dr. Tinoco, que foi vice-prefeito da cidade e deputado constituinte, sempre servindo ao município.  Além dele,  pude enxergar Garanhuns através dos olhos de dona Fernanda, minha sogra, através dos olhos de Jorge, dos meus cunhados, enfim, das pessoas que vivenciam desde sempre o dia-a-dia da cidade.  Certamente, tenho a responsabilidade de fazer jus ao legado político de muita honra e de muito trabalho, então Garanhuns entrou no contexto do meu mandato a partir desse compromisso.

 

VOCÊ QUE É NATURAL DO RECIFE E FEZ UM TRABALHO NA ASSEMBLÉIA SOBRE O RIO CAPIBARIBE, COMO SUA PESSOA VÊ O PLANO DO ANIVERSÁRIO DO RECIFE DE 500 ANOS QUE SERÁ EM 2037?

 

A gente fez um projeto chamado de “Expedição Capibaribe” que deu um trabalho danado, mas uma satisfação enorme. Não imaginava que eu e a minha equipe fôssemos capazes de fazer algo tão grandioso assim. Percorremos da nascente até a foz no Recife, mostrando as potencialidades e os problemas que o Rio (saiba mais aqui) enfrenta. Atentamos sempre para a importância de integrar a cidade com o rio e o rio com a cidade. Isso precisa ser uma coisa só. A gente precisa cuidar do Rio como a gente cuida da gente.

 

 

Já o projeto Recife 500 anos é muito interessante. Eu acompanhei mais de perto até o ano passado. Ele tem como objetivo estabelecer metas e marcos para o Recife aniversário de 500 anos da nossa capital a partir de um diagnóstico e de um diálogo muito intenso com a população. Certamente precisamos, numa cidade como o Recife, ter esses planos que são estratégias de desenvolvimento para uma das maiores zonas urbanas brasileiras.

De fato, tenho uma expectativa muito grande que o Recife 500 anos irá um pouco nessa linha. Na verdade, nós tivemos uma experiência na década de 70, que foi o Projeto Capital. Ele teve um processo de elaboração e de participação muito forte, mas não teve seguimento nas administrações municipais que se sucederam e não foi posto em prática. Embora o Recife 500 anos tenha uma abordagem bem completa, com o viés da mobilidade, da educação, da saúde, etc, ele não é um projeto acabado. Mesmo assim, espero que ele sirva não apenas como um balizador, mas também como um direcionamento, principalmente daquilo que estiver preconizado e determinado ali para as gestões futuras.

 

QUAIS SÃO AS SUAS EXPECTATIVAS PARA AS ELEIÇÕES DE 2018, TANTO EM PERNAMBUCO, QUANTO NO BRASIL?

 

Essa é a pergunta mais difícil de todas. Veja, espero que todo esse processo duro, doloroso, amargo que a gente vem passando nesses últimos anos tenha servido como um tipo de amadurecimento da população para que a gente faça escolhas corretas nas urnas no momento de votar nos candidatos.

Eu tenho um receio que vem me acompanhando nesses últimos anos, que é em relação a polarização, a radicalização e uma superficialidade nos debates políticos. Uma sociedade tão plural como a nossa está dividida em duas. E, na verdade, a gente tem um degradê imenso de cores, não dá para dizer preto ou branco, sim ou não. Nesse contexto social e político com abordagens imensas, todos os temas merecem ser abordados, mas com bom senso, equilíbrio e com a profundidade que exigem.

 

A deputada Priscila Krause falou com o dBlog sobre o cenário político brasileiro e suas expectativas para 2018

 

Então, o meu receio é que a contaminação desse radicalismo seja tanta, que a gente esqueça as coisas estruturadoras fundamentais, os valores democráticos. Porque assim, eu sempre digo que os extremos são iguais e se tocam. Na verdade, eles às vezes mudam as desculpas para terem as mesmas ações. Mas os extremos não são parâmetros de cotidiano de vida de ninguém e de tomada de decisão. E temos um centro democrático que conversa, que dialoga e que caminha de maneira mais equilibrada e tenho medo que esse centro não tenha o espaço devido na hora do eleitor decidir.

Mas, apesar desse meu receio, tenho uma visão otimista em relação ao país e em relação ao estado. Acredito que a gente vai arrumar um jeito de caminhar sempre no melhor caminho. E espero realmente que os resultados das próximas eleições possam trazer um alento para Pernambuco e para o Brasil. Não existem salvadores. Não existe quem vai resolver todos os problemas. Na experiência que tive em 2016 em um cargo majoritário, a minha maior dificuldade era da reação das pessoas quando eu dizia “não tem como o prefeito resolver todos os problemas”. Os problemas são nossos, o prefeito está lá para encaminhar, a gente resolve em uma evolução de comportamento e de participação. Espero que tenhamos conseguido atingir o amadurecimento necessário para conseguirmos isso.

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