Vida e Saúde

Wabi Sabi: a beleza na imperfeição

Entenda mais sobre esta interessante visão filosófica e estética advinda do Japão

 

 

Por Audálio Machado

 

 

Estamos acostumados a valorizar a perfeição e a esperar que dias felizes cheguem e nunca acabem. Nossa sociedade também busca a completude nos bens materiais e até mesmo dentro de nós mesmos. E se eu disser que existe um estilo de filosofia e estética japonesa que alega justamente o oposto? Bem, esta visão de mundo se chama Wabi Sabi e prega a valorização e apreciação do que é imperfeito, incompleto e impermanente.

Inspirado em ideais do Zen Budismo japonês, este conceito ainda pode ser chamado de “Arte da Imperfeição”. Não há uma tradução específica para Wabi Sabi, mas os termos separados são relacionados a palavras como simplicidade, calma, quietude e a beleza do tempo. De fato, o que esta filosofia tenta passar é que devemos aceitar que a vida não é perfeita e que o tempo passa não importa o que fazemos. Então, aceitar estes fatos reais e inquestionáveis faz com que possamos apreciar a beleza em tudo a nossa volta, principalmente as coisas mais modestas e sem nada em especial.

 

Um jardim “seco” japonês. Esse tipo de obra paisagística simboliza a moderação, as imperfeições e a incompletude. Este é um típico exemplo do caráter rústico que o Wabi Sabi carrega.

 

De fato, praticar o Wabi Sabi é muito difícil na sociedade em que vivemos. Imagine parar para apreciar a beleza de algo imperfeito, muitas vezes negligenciado e quase imperceptível. Pois é! Nós estamos condicionados a só ver o belo em formas monumentais, completamente simétricas e duradouras. Simplesmente, devemos perceber muitas vezes o que estava “escondido” tão próximo a nossos olhos. Por isso, esta visão tem uma sacada genial: se conseguimos ficar encantados com a imperfeição, a transitoriedade, a incompletude, as sutilezas e o que é instável, podemos apreciar a nossa vida com todas os fracassos e sofrimentos a que estamos propensos. Contudo, sabemos que isto não é fácil.

Além de seu teor filosófico e espiritual, o Wabi Sabi também é muito utilizado em obras arquitetônicas e estéticas. Por exemplo, a cultura japonesa adaptou o Wabi Sabi para seu paisagismo e floricultura, como os jardins assimétricos, os arranjos florais e os bonsai, aquelas conhecidas árvores em miniatura. Outra amostra desta visão é a tradicional cerimônia do chá japonesa. Também é possível observar a influência desta visão de mundo na arquitetura e nas artes deste país oriental, muitas vezes focadas no que é rústico e simples, mas também na assimetria, na simplicidade e na austeridade.

 

Ikebana é a arte japonesa dos arranjos florais e é intimamente ligada ao conceito de Wabi Sabi

 

Percebeu que o Wabi Sabi se refere a valores externos, porém, podemos utilizá-lo para mudanças interiores? Inicialmente, ele pode nos ajudar a modificar conceitos ligados a nossos julgamentos sobre o que é belo e sobre a apreciação da natureza. Em relação a nós mesmos, esta filosofia nos faz buscar a admissão de nossas imperfeições e falhas, que devemos levar conosco valores como a humildade, a moderação e a aceitação da transitoriedade de todos os aspectos das nossas vidas.

No fim das contas, o Wabi Sabi nos apresenta uma intrigante diferença em relação aos valores, crenças e tradições que são repassadas há séculos na cultura ocidental. Não estou falando para você simplesmente abandonar o modo de vida no qual estamos acostumados, mas apenas apresentando uma visão que pode ajudar na aceitação de várias questões problemáticas para muitos. Estou falando em romper amarras e contemplar os ciclos naturais da vida. O que é simples, breve, falho e frágil muitas vezes pode ser admirado. Apreciemos as “distorções, rachaduras, fissuras e fraturas” presentes em nossa existência, pois elas também contêm uma beleza excepcional.

 

 

Referências

 

https://medium.com/ovne/wabi-sabi-a-arte-e-a-beleza-da-imperfei%C3%A7%C3%A3o-7cf233c51dd9

https://experiencelife.com/article/the-wabi-sabi-self/

 

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